Passos e Portas bem podem negá-lo mas o Governo de Portugal é um governo neo-estalinista.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque nunca, depois da revolução, tivemos um governo que tanto se intrometesse em tudo e em tudo quisesse estar metido.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque quer dirigir centralmente a economia nacional.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque acredita que o que inscreve nos memorandos, planos estratégicos e orçamentos é mais real que a realidade económica e social.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque não se contenta com o domínio da economia, quer mandar em todos os planos da vida humana, vive para o poder pelo poder.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque não para ele as pessoas não contam, são danos colaterais no caminho para um fim supremo.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque acredita que é preciso espiar, denegrir, insultar, excluir, e mesmo, se necessário, exilar socialmente todos os que vê como forças de oposição e bloqueio.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque segue a política do quem não está com ele está contra ele, e por isso merece ser tratado como inimigo.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque considera inimigos potenciais todos os que não lhe são incondicionais. E mesmo esses só enquanto lhe forem úteis.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque reserva para a nomenclatura, para si e para os seus, a riqueza e os benefícios do país.
O Governo de Portugal é um governo neo-estalinista porque pratica um estalinismo de novo tipo em que é servil para uma potência exterior e usa o Estado para servir interesses privados.
Neo-estalinistas mas nem sequer dirigentes, afinal, simples criados.

