Charles Parker, Jr., ou Charlie Parker, Yardbird, ou Bird, para os amigos, nasceu e cresceu em Kansas City, uma cidade norte-americana que fica na fronteira dos estados de Kansas e Missouri. Filho de um pianista e dançarino, desde muito novo se interessou pela música. Começou por aprender a tocar trompa na escola. Aos 11 anos a mãe ofereceu-lhe um saxofone, episódio marcante na sua vida. Aos 15 abandonou a escola para seguir a sua carreira musical. Terá sido por essa altura que começou a consumir drogas. Aos 19 anos mudou-se para Nova Iorque, onde exerceu todas as profissões, incluindo lavar pratos, para se conseguir lançar na música. Aos 22 anos foi descoberto por Dizzy Gillespie e Thelonius Monk. De uma capacidade de improviso e sentido melódico excepcionais, em conjunto com Dizzy Gillespie, Charlie Parker, em 1945, lançou o bebop, um género musical caracterizado por tempos breves, estrutura musical harmónica e melodia, que viria a desembocar naquilo a que na década de 1960 se chamou o jazz moderno. As dificuldade da vida e as dependências de álcool e drogas causaram sem dúvida a sua morte prematura. Mas deixou atrás dele um rasto que ficará visível enquanto houver arte. Oiçam Ornithology:
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A vida e a obra de Charlie Parker inspiraram muitos músicos, escritores e outros artistas. Julio Cortázar escreveu o conto El Perseguidor, incluído no volume de contos Las Armas Secretas (1959) cujo personagem central, Johnny Carter, é inspirado em Charlie Parker. Aborda brilhantemente a maneira como personagens de génio, frágeis social e psicologicamente, são explorados por indivíduos sem capacidades artísticas, mas pouco escrupulosos. Leiam em:
Julio Cortázar voltou a invocar Charlie Parker em La Vuelta al Día en Ochenta Mundos, logo ao início, referindo a sua interpretação em Lady, Be Good, de Ira e Georges Gershwin, em conjunto com Lester Young e mais outros músicos de primeiro plano, tocada no Phirlamonic Auditorium, em Los Angeles, em 1946: