2014: ANO EUROPEU DO CÉREBRO E DAS DOENÇAS MENTAIS – SAÚDE E DOENÇA por clara castilho

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Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.

Pensemos: Haverá saúde, se não houver saúde mental? Não. A relação entre as partes físicas e mentais da saúde é múltipla e variada. Por um lado, as perturbações mentais aumentam o risco de sofrer doenças transmissíveis ou não, e podem contribuir para lesões não intencionais ou intencionais.

Por outro lado, muitas condições sociais podem potenciar patologias. É esta comorbidade que, por vezes, torna difíceis os diagnósticos, a procura de ajuda e o tratamento.

Pode um ser sem saúde mental exercer os seus direitos e participar na vida civil, social e económica? Elas têm os mesmos direitos mas não podem deles beneficiar, pois, antes disso há que as pôr em condições de o poder fazer.

Vejamos, qual é a sua exclusão: difícil acesso aos serviços de saúde; restrições da sua liberdade pessoal e de movimento, falta de oportunidades de trabalho, exclusão dos sistemas educativos.

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Às doenças mentais já se chamou “loucura”. Este conceito até passou pela possessão demonícaca, certas doenças hoje já não são consideradas psiquiátricas (por ex. a epilepsia) e novos comportamentos surgiram classificados como perturbadores (anorexia, autoflagelamento, por exemplo).

Em 2001, a OMS definia saúde mental como “ o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”. Assim, a saúde mental depende de uma multiplicidade de factores, nomeadamente: biológicos, individuais, familiares, sociais, económicos e ambientais.

Mais recentemente, a sua posição já é a de que não existe definição “oficial” de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a “saúde mental” é definida. Saúde mental é um termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional. A saúde Mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. Admite-se, entretanto, que o conceito de Saúde Mental é mais amplo que a ausência de transtornos mentais”.

Por oposição, a perturbação mental serão as alterações do modo de pensar e das emoções, ou, por desadequação ou deterioração do funcionamento psicológico e social. Resulta, igualmente, de factores biológicos, psicológicos e sociais.

Na doença mental existe uma alteração ou perda de capacidades e não uma insuficiência, que pode ter diferentes graus de gravidade. A deterioração das capacidades do indivíduo é resultado da doença. Esta pode ser tratada, ou em muitos casos curada.

Para isso é preciso a sociedade dar-lhes condições.

 

 

 

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