Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.
Pensemos: Haverá saúde, se não houver saúde mental? Não. A relação entre as partes físicas e mentais da saúde é múltipla e variada. Por um lado, as perturbações mentais aumentam o risco de sofrer doenças transmissíveis ou não, e podem contribuir para lesões não intencionais ou intencionais.
Por outro lado, muitas condições sociais podem potenciar patologias. É esta comorbidade que, por vezes, torna difíceis os diagnósticos, a procura de ajuda e o tratamento.
Pode um ser sem saúde mental exercer os seus direitos e participar na vida civil, social e económica? Elas têm os mesmos direitos mas não podem deles beneficiar, pois, antes disso há que as pôr em condições de o poder fazer.
Vejamos, qual é a sua exclusão: difícil acesso aos serviços de saúde; restrições da sua liberdade pessoal e de movimento, falta de oportunidades de trabalho, exclusão dos sistemas educativos.

Às doenças mentais já se chamou “loucura”. Este conceito até passou pela possessão demonícaca, certas doenças hoje já não são consideradas psiquiátricas (por ex. a epilepsia) e novos comportamentos surgiram classificados como perturbadores (anorexia, autoflagelamento, por exemplo).
Em 2001, a OMS definia saúde mental como “ o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”. Assim, a saúde mental depende de uma multiplicidade de factores, nomeadamente: biológicos, individuais, familiares, sociais, económicos e ambientais.
Mais recentemente, a sua posição já é a de que não existe definição “oficial” de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a “saúde mental” é definida. Saúde mental é um termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional. A saúde Mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. Admite-se, entretanto, que o conceito de Saúde Mental é mais amplo que a ausência de transtornos mentais”.
Por oposição, a perturbação mental serão as alterações do modo de pensar e das emoções, ou, por desadequação ou deterioração do funcionamento psicológico e social. Resulta, igualmente, de factores biológicos, psicológicos e sociais.
Na doença mental existe uma alteração ou perda de capacidades e não uma insuficiência, que pode ter diferentes graus de gravidade. A deterioração das capacidades do indivíduo é resultado da doença. Esta pode ser tratada, ou em muitos casos curada.
Para isso é preciso a sociedade dar-lhes condições.

