FRATERNIZAR – “DEUS O QUER!” – por Mário de Oliveira

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Andam as hostes cristãs, nomeadamente, as católicas romanas e, com elas, todo o Ocidente cristão, farisaicamente escandalizadas com as actuais posturas bélicas e terroristas dos jihadistas do Estado Islâmico, sem que ninguém, entre os muitos comentadores das tvs e dos jornais, lhes recorde que foi o papa Urbano II, um monge até então, que, ao grito de, “Deus o quer!”, lançou, no final do século XI, a primeira cruzada contra os “infiéis” (sic), no caso, muçulmanos, que então ocupavam os chamados “lugares santos”, com destaque para a cidade de Jerusalém. O apelo papal aos jovens da nobreza europeia partiu do Sínodo de Clérmont, em França, e contou com a pronta adesão de muitos milhares que se organizaram em exército santo. A guerra, objectivamente, crime horrendo, converteu-se, assim, graças ao poder cristão do papa, numa acção sagrada e santa, para maior honra e glória de Deus, o do cristianismo. Aos milhares de jovens, juntaram-se, algum tempo depois, hordas e hordas de muitos milhares de famílias inteiras de camponeses que não tinham onde cair mortas, instigadas, pela pregação de um outro monge que se tornou santo de altar, Pedro, o Eremita, um especialista, já então, nas técnicas de fanatizar as massas. Ninguém, hoje, é sequer capaz de imaginar o fervor e o ódio que moviam aqueles milhares de jovens e aquelas hordas de fanatizados camponeses cristãos. A fome e as doenças depressa se apoderaram destas famílias de camponeses, entregues ao deus-dará, e uma boa parte delas já nem sequer chegou a sair do solo europeu. E quase todas os restantes vieram a ser massacradas nos “lugares santos”. Restou-lhes o ilusório consolo de que morriam na graça de Deus, por força da indulgência plenária concedida pelo papa Urbano II. Digam lá se pode haver perdão para tamanha inumanidade cristã, sem dúvida, o que há de mais anti-Jesus, o filho de Maria. Por isso lhes digo: ou mudamos de ser e de Deus, ou somos todos iguais ou piores que o papa Urbano II, beato, e Pedro, o Eremita, santo!
4 Set.º 2014

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