A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

pela geografia do genial toscano, e com os vários episódios a constituirem um afresco representativo das acções que intercorrem sobretudo entre duas personagens: Leonardo e o aprendiz rebelde, que um dia lhe entrou pela oficina levado pelo pai, «que o fora entregar com uma botelha de vinho, do mais vermelhão, e duas fogaças, acabadas de cozer, numa espécie de paga pela aceitação do valdevinos» (p. 13). Aqui reside o princípio de uma relação que se revelará algumas vezes tempestuosa mas quase sempre marcada por uma empatia, intuída pelo “Rapaz”, e por uma cumplicidade conquistada, como se o Mestre apreciasse a transgressão de alguém que projectara como modelo de Anjo mas que agia mais como Mafarrico e que, por isso, lhe mudou o nome de Gian Giacomo para Salai. Digamos que o núcleo da narrativa contempla justamente a complexidade do convívio entre Mestre e discípulo, revelando-se este, por força duma «ciência imemorial, herdada de antepassados» (p. 14), de um oportunismo sagaz, ora obediente ora desviado por caminhos ínvios, assim preenchendo o texto com muitas características distintivas da narrativa picaresca.