CELEBRANDO SOPHIA – 39 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

 

Para ouvir os poemas de Sophia (os recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.com/2014/07/celebrando-sophia-de-mello-breyner.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

 

Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia - 1940Sophia fotografada em 1940.

Capa do livro “Sophia de Mello Breyner Andresen: Uma Vida de Poeta” (Editorial Caminho, 2011), catálogo da exposição que esteve patente na Biblioteca Nacional, de 26 de Janeiro a 30 de Abril de 2011. «Na minha infância, antes de saber ler, ouvi recitar e aprendi de cor um antigo poema tradicional português, chamado Nau Catrineta. Tive assim a sorte de começar pela tradição oral, a sorte de conhecer o poema antes de conhecer a literatura. Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio.»

Sophia de Mello Breyner Andresen (excerto inicial de “Arte Poética V”, in “Ilhas”, Lisboa: Texto Editora, 1989)

Esta Gente

Poema: Sophia de Mello Breyner Andresen (in “Geografia”: II – “Procelária”, Lisboa: Edições Ática, 1967; “Obra Poética III”, Lisboa: Editorial Caminho, 1991 – págs. 22-23)
Música: Lima Brummon
Intérprete: Tereza Tarouca* (in LP “Tereza Tarouca (Portugal Triste)”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo

* Conjunto de Guitarras de António Chainho
Produção – António Chainho
Técnicos de som – Luís Alcobia e Rui Novais

25 DE ABRIL

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen (in “O Nome das Coisas”, Lisboa: Moraes Editores, 1977; “Obra Poética III”, Lisboa: Editorial Caminho, 1991 – pág. 195)
Recitado por Luísa Cruz* (in Livro/2CD “Ao Longe os Barcos de Flores: Poesia Portuguesa do Século XX”: CD1, col. Sons, Assírio & Alvim, 2004)

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

* Selecção de poemas e direcção de actores – Gastão Cruz
Coordenação editorial – Teresa Belo
Gravado e masterizado por Artur David e João Gomes, no Estúdio Praça das Flores, Lisboa, em Outubro de 2004
Supervisão de gravação – Vasco Pimentel

A Poesia está na Rua

Maria Helena Vieira da Silva, “A Poesia Está na Rua II”, 1975, têmpera sobre papel, 105×79,5 cm, Museu da Fundação Arpad-Szenes-Vieira da Silva, Lisboa

Nota:
Esta é a segunda de três obras que Maria Helena Vieira da Silva criou para celebrar a Revolução dos Cravos, na sequência de um pedido feito por Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

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