CRÓNICAS DO QUOTIDIANO -UM ENCONTRO EM FÁTIMA QUE OS JORNAIS E AS TVS SILENCIARAM – por Mário de Oliveira

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Os jornais e as tvs silenciaram-no, mas a Associação Portuguesa de Canonistas em parceria com o Instituto Superior de Direito Canónico, da Universidade Católica Portuguesa, acaba de assinalar em Fátima “o 10.º aniversário da Concordata”. A informação é da Ecclesia, a tal agência dos bispos da igreja católica em Portugal, uma espécie de estado dentro do estado, ou, melhor dito, uma espécie de estado acima do estado, com este pela trela. A Concordata aí está, desde 1940, a revelar a total subserviência deste ao estado do Vaticano, um estado ferozmente confessional e contra todas as demais confissões religiosas, como, de resto, é típico das “três religiões do Livro”, o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo. Três religiões distintas, a mesma ambição, o mesmo objectivo: ter sob o seu domínio total as mentes-consciências dos seres humanos em todo o mundo. Lá, onde alguma destas três ideologias se instala, actua como um demónio. Isto é, só está satisfeita, quando o seu domínio é completo, de modo a poder fazer de cada mulher, cada homem, gato-sapato. Por isso, nenhuma das três pode ver as outras duas, por mais que se finjam de “irmãs”. Pois bem. E o que saiu deste encontro de vários dias dos canonistas? Não pensem que a montanha pariu um rato. Nada disso. Nas conclusões, fala-se dos “10 anos da Concordata”, quando esta, como é sabido, já leva 74 anos, assinada que foi em 1940, em pleno regime fascista de Salazar, o da Pide, das torturas, das prisões políticas, da censura, da guerra colonial, da barbaridade sem limites, da senhora de fátima, do medo. Com os bispos e os párocos como outros tantos braços compridos do regime. A vergonha das vergonhas. A ignomínia das ignomínias. Que os canonistas católicos, súbditos de suas excelências reverendíssimas, os senhores bispos, querem fazer esquecer, ao sublinharem apenas os “10 anos da Concordata”. Ao mesmo tempo que fazem severas críticas ao actual estado português, não porque este, sob o disfarce da democracia, é hoje um estado tão ou mais cínico que o de Salazar, mas porque não está a cumprir de forma completa e correcta tudo o que reza a Concordata de há 10 anos! Fica aqui a denúncia, já que os jornais e as tvs do país, sob a trela do grande poder financeiro, só têm olhos e barriga para futebóis e telenovelas.

9 Set.º 2014

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