PRESERVAR A VIDA MARÍTIMA QUE PERMITA A CONTINUIDADE DA EXISTÊNCIA DE GOLFINHOS NO SADO por Clara Castilho

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Tomei conhecimento do Projecto Delfim . Tem uma página na net (www.projectodelfim.pt/) , de onde retirei as seguintes informações:

  “É uma associação científica, sem fins lucrativos, criada em 1992, reunindo investigadores, estudantes universitários, simpatizantes, instituições e empresas que desejam participar no esforço para um melhor conhecimento do meio aquático, em especial dos mamíferos marinhos no seu ambiente natural.

 A vocação do Projecto Delfim tem sido, desde o início, a obtenção e difusão de informação científica, rigorosa, necessária para políticas de conservação fundamentadas.

 Os golfinhos-roazes do estuário do Sado têm sido objecto de vários estudos por parte dos membros fundadores do Projecto Delfim e de outros investigadores e, na continuação de um trabalho iniciado em 1981, encontram-se em curso programas de foto-identificação, bio-acústica e eco-etologia.

 golfinhos_do_sado

O Projecto Delfim tem igualmente realizado programas de investigação em cooperação com instituições estrangeiras, nomeadamente em S. Tomé e Príncipe, na Escócia e no Brasil.

 CONSERVAÇÃO DOS GOLFINHOS-ROAZES RESIDENTES NA REGIÃO DO SADO – PRINCIPAIS PRIORIDADES

 Os golfinhos-roazes são animais selvagens que há muitos séculos visitam um habitat natural – o estuário do Sado – em busca de alimento.

Os humanos também ocuparam o estuário do Sado, que transformaram para as suas actividades portuárias e marítimas, industriais (sobretudo com o escoamento de resíduos), pesqueiras, para a aquacultura e o lazer.

Criou-se assim uma aproximação perigosa destes mamíferos selvagens ao mundo dos humanos. Essa aproximação já teve aspectos competitivos e episódios de perseguição. Hoje prevalece a noção de que estes animais constituem um elemento muito valioso da biodiversidade local, simbolizando a beleza da região.

A poluição química do estuário e a utilização agressiva das suas margens levou a uma degradação do habitat e a uma redução do grupo de golfinhos residentes. A intoxicação dos golfinhos tem dificultado a renovação populacional devido à elevada mortalidade das crias.

Visitam hoje o estuário apenas 27 animais reconhecíveis individualmente, dos quais 2 são crias e 4 são juvenis. Os restantes 21 animais são adultos, a maioria dos quais com idade superior a 34 anos. Para a maioria dos animais ainda não foi possível identificar o sexo, no entanto 7 são conhecidos como possíveis fêmeas e 5 são machos.

Sendo estes golfinhos, tanto a nível nacional como internacional, um dos poucos grupos residentes e fáceis de avistar, a divulgação da sua existência conduziu a uma crescente pressão de embarcações que os seguem com o intuito de observação.

A maior parte deste assédio provém de pequenas embarcações particulares, algumas à vela mas sobretudo a motor, sendo particularmente pesado no período do Verão, apesar da legislação em vigor. Algumas empresas que se dedicam à observação turística constituem uma perturbação relevante à actividade dos golfinhos no interior do estuário.

A conservação deste grupo residente de golfinhos depende da reabilitação do estuário a longo termo (em termos da qualidade da água, do substrato e da riqueza biológica). Em termos mais imediatos, será fundamental que as embarcações deixem de perseguir os golfinhos quando eles se encontrarem no interior do estuário.

Isso exigirá um melhoramento da legislação e da fiscalização, mas todos podemos contribuir educacionalmente para a criação de uma nova mentalidade no relacionamento com estes animais selvagens.”

Queremos manter o nosso ecossistema?

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