NOVA CALEDÓNIA – UM DOS MAIORES ÍNDICES DE BIODIVERSIDADE DO MUNDO – por João Machado

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Obrigado a Holger Behr e à Wikipedia

A Nova Caledónia fica na Melanésia, a cerca de 1210 quilómetros de distância da Austrália, situando-se a oriente do Mar de Coral. É um arquipélago, que inclui a Grande Terre, as ilhas Loyalty, ilhas Chesterfield, ilhas Belep, ilha de Pins e numerosas ilhotas. A área terrestre é de 18.576 quilómetros quadrados, e a população ultrapassa os 250.000 habitantes, grande parte dos quais são canacas, grupo populacional aborígene da Melanésia, cerca de 30 % são europeus ou seus descendentes, e os restantes imigrantes de outras origens, ou seus descendentes. Faz parte integrante da França. Os habitantes têm a cidadania francesa, e o francês é falado pela maioria dos habitantes. Também são faladas 28 línguas canacas, semelhantes a outras faladas. A capital e cidade mais importante é Nouméa, com cerca de 100.000 habitantes. Na zona urbana da capital, concentra-se cerca de dois terços da população total.

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Original de Charles Lemire. Obrigado à British Library, Metlsteiner e à Wikimedia Commons.

A Nova Caledónia é povoada há cerca de 6000 anos, ao que se conseguiu apurar. Terá sido povoada por várias vagas de imigrantes, provenientes da Ásia e da Polinésia.  Os primeiros europeus a visitá-la, em 1774, integravam a segunda expedição de James Cook, o grande navegador britânico. Chamaram Nova Caledónia à terra, porque, ao abordar a Grande Terre pelo lado norte, acharam ter parecenças com a Escócia. Seguiram-se outros navegadores, que procuraram o arquipélago para explorar madeira, primeiro, e depois para  raptar habitantes para serem escravos das plantações de açúcar na Austrália e nas ilhas Fiji. Em 1853, por ordens de Napoleão III, uma esquadra francesa tomou posse do território. Posteriormente este recebeu grande número de deportados, com destaque para muitos participantes na Comuna de Paris. Entre estes estava Louise Michel, que terá apoiado uma revolta dos canacas, em 1878. Estes, para além do tráfico de escravos, foram vítimas de grande repressão e de propagação de doenças trazidas pelos colonizadores, como a varíola e a rubéola. O seu número diminuiu consideravelmente, só começando a recuperar depois de 1930. Muitos vivem ainda hoje em reservas, onde vigora o direito costumeiro. Estão pouco integrados na economia do território, que tem conhecido um grande desenvolvimento devido à exploração do níquel, de que a Nova Caledónia é um grande produtor, possuindo importantes reservas. Hoje em dia o seu PIB per capita é bastante elevado, mas as grandes desigualdades sociais afectam a sociedade local. Têm-se manifestado correntes independentistas, estando previsto um referendo para os próximos anos.

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Obrigado a Sting (Eric Gaba) e á Wikimedia Commons

O território é totalmente rodeado por barreiras de coral. O clima é tropical, temperado pela influência oceânica. Estando no hemisfério sul, a estação seca, com temperaturas mais baixas, decorre entre Junho e Agosto. Por vezes, o El Niño afecta a zona, trazendo períodos de seca. A região da Nova Caledónia tem o maior índice de biodiversidade do mundo. A barreira de coral forma ali como que uma gigantesca lagoa, com cerca de 24.000 quilómetros quadrados. A UNESCO classificou a sua preservação como de interesse mundial.

Imagem da zona abrangida pelos recifes de coral, perto de Nouméa.  Obrigado a J Brew e à Wikimedia Commons.
Imagem da zona abrangida pelos recifes de coral, perto de Nouméa.
Obrigado a J Brew e à Wikimedia Commons.

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Ver também:

http://noumea.arounder.com/en/views/new-caledonia-lagoon

Click to access ra2010_nouvelle-caledonie.pdf

http://noumea.arounder.com/en/views/new-caledonia-lagoon

http://whc.unesco.org/en/list/1115

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