E depois de Abril … – Joaquim Palminha Silva

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Desde Abril de 1974 que temos tido notícias sobre várias reformas a efectuar no País. Ao que parece, todas as que foram feitas, desfeitas e renovadas nestes últimos 40 anos não têm servido praticamente para nada. Melhor dizendo: – Em lugar de reformarem o País, foram paulatinamente deformando-o e desconsiderando-o!

Descaradamente, hoje manda em nós o estrangeiro que nos emprestou (e empresta) dinheiro a altos juros e, vejam lá, quem agora imagina as reformas já não são os governantes lusitanos, com o consentimento dos cidadãos e a aprovação do Parlamento, mas os prestamistas além-fronteiras que, coisa indigna de se ver, entregaram aos lusos governantes uma lista de medidas e procedimentos para estes últimos levarem a cabo obrigatoriamente, “senão”… Senão o quê? – Enfim, pior que esta situação de “sequestro” só talvez a ocupação castelhana (1580-1640) e as invasões francesas (1807-1811).

Nestes últimos trágicos anos (2012-2014) do século XXI, assim se preparou, humilhando o País, um conjunto de reformas imaginadas por esmola de estrangeiros, vexando a Nação portuguesa, a troco de lhe emprestarem dinheiro para a “salvarem” (havemos de ver isso) da bancarrota!

Resumindo. Há 40 anos que Portugal é agitado periodicamente pela ânsia de revolver as suas instituições de Estado nas fachadas, nas faces de superfície, nos rebordos administrativos dos seus códigos, nas arestas lascadas dos regulamentos e leis, que é uma forma envernizada de burocratizar um pouco mais o que já era fórmula absurda, sem conexão com a vida real, evitando-se deste modo ir ao fundo das questões, ficando todos e cada um “descansado” no cómodo “faz de conta”, no “depois logo se vê”, no “não há-de ser nada”. Finalmente, como compete a diplomados mentecaptos e estreitos de vista, fica cada um distraído a “viver um dia de cada vez”!

Desde a queda da ditadura até hoje, “fabricaram-se” comissões parlamentares ou ministeriais (com o seu inelutável cortejo de subcomissões, grupos de estudo, investigação e inquérito, com suas inúmeras assembleias, congressos e outros jogos e interlúdios burocráticos), mudaram-se sedes de organismos e refizeram-se os textos legais num imenso remexer, cuja estatística, havendo alguém com meios e coragem para a elaborar, assustar-nos-ia a sua leitura até ao frio na espinha, provocando-nos um pânico angustiante, sem remédio.

Como sempre acontece em semelhantes assuntos, tratados por gente com escassos ou nenhuns princípios, sem vergonha política e sem qualquer idealismo humano (cristão e/ou cívio e humanista), a imensa maioria dos governantes recorreram a expedientes extra-parlamentares e a compromissos, para contentar uns e outros, acabando por aumentar a sobrecarga dos custos reais das matérias supostamente em estudo e de arruinar ainda mais o País, bem como a inexistência, no território português, da prática da lógica e da dialéctica raciocinante, facilitando a transformação de todas as reformas numa desarmonia patética, numa barafunda ruidosa, compensadora apenas para advogados que descobrem os seus vazios, as suas incongruências e, naturalmente, daí retiram os seus chorudos dividendos.

Todos os remendos, concertos, arranjos, reparações, revolvimentos, conseguiram este “belo” resultado: – Somos governados, alternamente, por dois grupos de “moços de recados” dos prestamistas estrangeiros, a que se opõem internamente uns modestos regateiros que mendigam nas ruas, aos gritos, juros mais baixos e mais tempo para saldar a dívida do Estado português ao frio e cruel estrangeiro. Estrangeiros, naturalmente liderados pelos descendentes da tradicional “sabedoria” saqueadora dos hunos, transformada agora em força germânica… de negra memória!

Com gente deste jaez a governar, Portugal não precisa de inimigos externos. Esta gente é mais do que suficiente (como se prova todos os dias) para espatifar, quebrar, destruir, desacreditar, destroçar o pouco que nos resta da Pátria!

Quarenta anos depois de Abril de 1974, chegamos a isto!

É bem verdade, a ditadura caiu, felizmente! … Mas o mal desaparecido foi substituído por outro mal travestido com as cores da Democracia…

A felicidade (sempre) relativa e a qualidade de vida não progrediram. À actual guerra de todos contra todos, sucede agora o estado mórbido da Nação. Inventamos a “civilização do círculo vicioso” que, na imagem popularizada, se representa pelo vulgar prato de peixe frito: – A pescadinha de rabo na boca!

Pedimos dinheiro emprestado ao estrangeiro, a altos juros, para pagar outro dinheiro que nos foi emprestado; entretanto, num próximo futuro iremos pedir novamente dinheiro emprestado a altos juros para pagar outro dinheiro emprestado… Se alguém acredita que isto é forma de vida para um Povo e uma Nação, objectivo e meio de gestão credível de um Estado, realizado por um governo saído das urnas de votos, então esse alguém é muito ignorante ou, na alternativa, doido varrido!

Como sair deste círculo vicioso? – Se calhar realizando uma enorme desintoxicação da Europa dos neo-germânicos e seus lacaios, da sociedade de consumo e da moeda única!

Se calhar, voltando a ser portugueses de Portugal, e amigos do seu amigo!

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