A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Não se pode dizer que sejamos melhores ou piores. É uma questão de perspectiva. Mas que somos diferentes e que reagimos de forma original ás revelações (e ás manipulações dos media), disso não restam dúvidas. Em que país regido por um regime democrático, com liberdade de expressão, seria possível que sobre um chefe de Estado pairasse a acusação de ter sido (alegadamente por motivos académicos) agente informador da polícia política da ditadura? Ou que sobre a mesma figura se diga ter tirado proveitos, por informação ilícita e privilegiada, de um negócio que dissipou muitos milhões de euros do erário público? Que sobre um ministro do actual governo, entre outras suspeitas de natureza diversa, se diga ter metido ao bolso comissões pela compra de material para a Marinha? Ou de ter fornecido a uma central estrangeira de inteligência milhares de fotocópias de documentos confidenciais? São suspeitas, dir-se-á. A informação sobre o fellatio de Monica Lewinsky também começou por ser uma suspeita e fez pairar o fantasma do impeachment sobre Bill Clinton. Se o caso tivesse ocorrido numa sala, oval ou quadrada, do Palácio de Belém, a mera suspeita traria apoiantes ao protagonista.
Este governo, este primeiro-ministro, excedem tudo o que é admissÃvel.” â â