Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota
Introdução
Aqui vos envio uma peça em três partes, a mais violenta das peças que terei feito até agora, ou pelo menos a que mais me entristeceu de todas elas, porque com elas dou como apagada muita da esperança que politicamente me animou face à crise europeia, mesmo sabendo que a esperança nunca deve morrer. Trata-se de três peças a que simbolicamente chamo de Obama do exterior, escrita por Paul Craig Roberts, Obama do interior, escrita por Greg Palast e Obama e a repartição do rendimento nos Estados Unidos. Trata-se de textos que expressam, e de que maneira, as várias facetas de um terrível engano com Obama. Obama, o homem que nos ofereceu o direito à esperança, face à cobardia e à corrupção dos líderes europeus, é também o homem que nos pisou esse mesmo direito. Vergonhosamente, diga-se e repita-se. E dessa esperança somos hoje todos nós órfãos e a pagar por isso mesmo um preço elevado. Uma das facturas pode ser já apresentada a pagamento em 4 de Novembro com as eleições intercalares onde a direita pura e dura “corre o risco” de conseguir a maioria nas duas Câmaras!
Pode parecer estranho tudo o que neles é dito mas, por exemplo, sobre Obama e a sua defesa dos Direitos do Homem – pelo que é talvez mais conhecido e por isso recebeu o prémio Nobel da Paz, não pelo que tinha feito, não tinha feito NADA, mas pelo que prometia – relembro aqui um acontecimento que se verificou em Itália, contado hoje por diversas individualidades de respeito neste país e não só. Aparece igualmente descrito no texto O desastre italiano publicado neste blog. Como assinala Perry Anderson, The Italian Disaster, London Review of Books:
“ Em 5 de Abril, [ Napolitano] concedeu o perdão presidencial ao coronel americano Joseph Romano, condenado à revelia a sete anos pela sua participação no rapto em Milão de um sacerdote egípcio, que foi então metido num um avião militar americano e enviado para o Cairo onde esteve sujeito a meses de tortura nas mãos da polícia de Mubarak. Constitucionalmente, um perdão presidencial só pode ser concedido por razões ‘humanitárias’, e nunca por razões políticas. Romano nem sequer tinha passado um dia na prisão, tendo fugido do país. Mas Obama tinha pessoalmente pedido que essa “ bagatela” fosse negligenciada e Napolitano não hesitou, como muitas vezes antes, em desrespeitar a Constituição, explicando que “tinha perdoado a Romano ‘ para obviar a uma situação de evidente delicadeza para com um país amigo’. O suserano tinha mudado e daí também os crimes. A sua atitude para com um poder mais forte é que não.” E os fatos cor-de-laranja usados em Guantánamo aparecem agora também impostos pelos fanáticos jihadistas no Médio-Oriente!
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Aviso ao mundo: Washington, a sua NATO e os seus vassalos europeus são loucos
Paul Craig Roberts, Warning to the World: Washington and its NATO & EU Vassals are Insane
PaulCraigRoberts.org, 2 de Setembro de 2014
Herbert E. Meyer, um maluco que era um assistente especial do director da CIA durante um certo período na Administração de Reagan, escreveu um artigo apelando ao assassinato do Presidente russo Putin. Se temos de ” o tirar para fora do Kremlin mas primeiramente com um buraco de bala atrás da cabeça, todos nós ficaríamos contentes .”
http://www.americanthinker.com/2014/08/how_to_solve_the_putin_problem.html
Como o louco Meyer ilustra , a loucura que Washington tem lançado sobre o mundo não tem limites . José Manual Barroso, instalado na qualidade de Presidente da Comissão Europeia como a marionete de Washington, deturpou a sua recente e confidencial conversa telefónica com o Presidente Putin da Rússia, dizendo aos meios de comunicação que Putin tinha-lhe expresso uma ameaça: “Se eu quiser, posso conquistar Kiev em duas semanas.”
Claramente, Putin não emitiu uma tal ameaça. Uma tal ameaça seria inconsistente com a abordagem de não provocação praticada por Putin em face à ameaça estratégica que Washington e os seus fantoches da OTAN tem estado sucessivamente a fazer para com a Rússia através da situação na Ucrânia. O representante permanente da Rússia para a UE, Vladimir Chizhov, disse que se a mentira do Barroso não é desmentida então a Rússia tornará pública a gravação completa da conversa.
Qualquer pessoa familiarizada com a disparidade entre as forças armadas ucranianas e russas sabe muito bem que isso poderia ser feito pelos militares russos em 14 horas, não em 14 dias, para conquistar toda a Ucrânia. Basta lembrar o que aconteceu com o exército da Geórgia treinado e equipado pelos americanos e israelitas, quando Washington estabeleceu as suas estúpidas marionetes georgianas na Ossétia do Sul. O exército georgiano treinado pelos americanos e pelos israelitas entrou em colapso sob o contra-ataque russo em 5 horas.
A mentira que o fantoche Barroso às ordens de Washington disse não é de forma alguma afirmação de uma pessoa séria. Mas onde é que na Europa há uma pessoa séria no poder? Em lado nenhum. As poucas na Europa existem estão todas fora do poder. Considere-se o secretário-geral da OTAN, Anders Rasmussen. Foi primeiro-ministro da Dinamarca e sentiu que poderia para lá da Dinamarca servir como um fantoche de Washington. Como primeiro-ministro ele apoiou fortemente a invasão ilegal do Iraque por Washington, declarando que “nós sabemos que Saddam Hussein tem armas de destruição em massa”. Claro, o tolo não sabia nada disso, e porque é que lhe seria importante que o Iraque, em particular, tivesse tais armas. Muitos países têm armas de destruição em massa.
De acordo com a regra de que quem serve Washington deve ser promovido, o nome Rasmussen foi então valorizado.
O problema é que, ao promover tolos sem princípios, estes fazem com que o mundo corra riscos para eles melhorarem a sua própria carreira . Rasmussen colocou agora a totalidade da Europa Ocidental e Oriental em risco de uma verdadeira aniquilação. Rasmussen anunciou a criação de uma força a servir de ponta de lança para numa guerra relâmpago ser capaz de atacar a Rússia. O que esta marionete de Washington chama de “plano de acção rápido ” justifica-se como uma resposta para o “comportamento agressivo da Rússia na Ucrânia.”
A força de ataque relâmpago de Rasmussen (lightening spearhead force) iria ser exterminada tal como cada uma das capitais europeias. Que tipo de idiota provoca uma superpotência nuclear desta forma?
Rasmussen reafirma “o comportamento agressivo da Rússia” mas não tem nenhuma prova do que afirma. A Rússia tem permanecido em actividades secundárias enquanto o governo do fantoches de Washington em Kiev bombardeou habitações civis, hospitais, escolas e divulga constantemente um conjunto de mentiras contra a Rússia. A Rússia recusou os pedidos das províncias orientais e do sul agora independentes de Ucrânia, e antigos territórios russos de se juntaram e fazerem parte da Rússia. Como os leitores sabem, eu considero a decisão de Putin como um erro, mas os acontecimentos poderão provar-me que sou que estou errado e então tudo Ok comigo. Por agora, o facto é que cada acto do comportamento agressivo é o resultado do apoio dos E.U. e da UE aos nazis de Kiev. E são as milícias nazis ucranianas que estão a atacar civis nos antigos territórios russos de Ucrânia oriental e do sul. Um número de unidades militares ucranianas regulares desertaram para as repúblicas independentes.
Sim, nazis. A Ucrânia ocidental é a casa da divisão ucraniana dos SS que lutou pelos ideais de Hitler e a seu lado. Hoje as milícias organizadas pelo Right Sector e por outras organizações políticas de direita vestem as insígnias nazis das divisões ucranianas dos SS de então. Estas são as pessoas que Washington e a UE apoiam. Se os nazis ucranianos pudessem ganhar contra Rússia, o que não podem, estes voltar-se-iam para Ocidente , tal como o movimento ISIS financiado por Washington o tem feito, movimento este que Washington desencadeou na Líbia e na Síria. Agora o ISIS está a refazer o Médio Oriente, e contra o qual Washington aparece como estando impotente.
William Binney, um antigo alto-oficial na US National Security Agency ( Agência de Segurança Nacional dos E.U) e colegas dos serviços do CIA e dos serviços secretos militares escreveram à chanceler alemã Merkel a quem recomendaram para ter cuidado com as mentiras de Obama na próximo cimeira de OTAN em Gales. Os oficiais de informações dos E.U. recomendam a Merkel que se lembre das “armas de destruição maciça” do Iraque e que não fique desiludida outra vez, desta vez no conflito com Rússia.
http://www.zerohedge.com/news/2014-09-01/ex-nsa-director-us-intelligence-veterans-write-open-letter-merkel-avoid-all-out-ukra
A questão a levantar é então: o que é que faz Merkel, o que é que Merkel representa? Washington ou a Alemanha? Até agora Merkel tem representado Washington, não os interesses comerciais alemães, não as pessoas alemães e não os interesses da Alemanha como um país. Ainda agora deu-se um protesto em Dresden onde uma multidão impediu o discurso de Merkel com gritos do “kriegstreiber” (belicista), de “mentirosa, de mentirosa,” e de “nenhuma guerra com a Rússia.”
https://www.youtube.com/watch?v=-wSMhGE_Mpk
Aquando do meu doutoramento, o meu director de tese, que se tornou um alto funcionário do Pentágono afecto à tarefa de pôr um termo à guerra do Vietname, em resposta à minha pergunta sobre a forma como Washington sempre teve êxito em se impor aos Europeus em tudo aquilo que queria, ele respondeu-me: “o dinheiro, damos-lhes dinheiro”. “A ajuda estrangeira” perguntei eu? “Não, damos aos líderes políticos europeus malas cheias de dinheiro (“bag fulls of money”) “. Eles estão à venda, nós comprámo-los. E vêm trazer-nos o que queremos”. E talvez isto explique a fortuna $50 milhões que Tony Blair terá ganho num só ano fora do governo .”
(continua)
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