CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – FIA-TE NOS MESSIAS E NÃO CORRAS, VERÁS O TOMBO QUE LEVAS – por Mário de Oliveira

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A euforia dos militantes socialistas e dos muitos simpatizantes do PS, logo após a estrondosa derrota de António José Seguro e da folgadíssima vitória de António Costa, deixa perceber, com preocupação, que as populações, na sua generalidade, ainda se não libertaram dos messias/cristos/intermediários. Nem parecem dispostas a libertar-se. São já muitos milhares de anos e muitas mais gerações de populações, a insistir nesta via política messiânica/cristã. Deveria ser uma razão mais que suficiente, para desistirmos de uma vez por todas desta via política, tamanhos os tombos/desastres, tantos e tão inomináveis os crimes cometidos até ao presente e que prosseguem, aí, imparáveis. Pais, tutores (messias/cristos/intermediários), só na infância. Quando crescemos, descolamos dos pais, tutores. A chamada crise da adolescência tem a sua quota-parte de dor, mas é benéfica para filhos e pais. É uma crise de crescimento. Deveria ser também assim no plano colectivo, comunitário. Quando não é, a humanidade cai mortalmente doente. Sempre que o período da infância se prolonga para lá do necessário, deixa de ser infância, para ser infantil. Os messias/cristos/intermediários só aparentemente são via política de salvação/saúde das respectivas sociedades. Nada pior para as populações, quando elas, como um todo, recusam crescer de dentro para fora, até se tornarem sujeitos dos seus próprios destinos, dos destinos umas das outras e do planeta. Por outras palavras, quando recusam ser Política praticada. Trocam o que há de mais belo no planeta – a Política praticada – pelo que há de mais medonho – o Poder. Urge percebermos, de uma vez por todas, que os messianismos/cristianismos, com seus messias/cristos/intermediários, são a doença infantil da humanidade. Uma doença mortal. Franqueia a porta ao poder, nos três poderes, consequentemente, à mentira, ao secretismo, à corrupção, à violência, à exploração, à manipulação das mentes/consciências, aos chico-espertos, quando deveria fazê-la implodir. A esta luz, percebemos ainda melhor porque Jesus Nazaré recusa ser o messias/cristo! Antes a morte crucificada, que tal sorte – a de contribuir para manter a humanidade no infantil!

29 Setº 2014

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