EDITORIAL – A VITÓRIA DE ANTÓNIO COSTA E O PAÍS

logo editorial

A vitória clara de António Costa nas eleições primárias para a escolha do candidato do PS a primeiro-ministro constitui inequivocamente um facto político importante. Movimentou um número significativo de pessoas, tendo em conta que se tratou de uma eleição para  escolher o candidato de um partido a primeiro ministro, e não de uma eleição nacional. Contudo, será imprudente querer tirar daí mais ilações. O PS é um partido nacional, que já participou em vários governos no pós 25 de Abril , ufana-se de ser um partido de poder (noção extremamente controversa) e mais, pretende ser como que um partido charneira entre a esquerda e a direita. É natural que tenha expectativas grandes, mas até onde poderá chegar? E para o país, que benefícios poderão resultar desta intensa movimentação?

O país está cansado do governo Passos/Portas, que, embora tenha sobrevivido com facilidade à derrota nas europeias, parece estar com problemas cada vez maiores. As crises na Justiça e na Educação, o caso Tecnoforma, o agravamento da dívida pública, o mau tratamento da crise Espírito Santo, denotam grandes fragilidades, e muita incompetência.  Contudo, será que se pode achar que, neste momento, Costa tem o caminho aberto para o poder? Claro que não. O grande concorrente do PS, o PSD também tem uma estratégia, possivelmente mais que uma estratégia, se assim se pode falar. Um cenário será com Passos Coelho, outro sem ele. Por isso, devemos preparar-nos para muito espectáculo nos próximos meses.

O mais grave é que os problemas do país requerem tomadas de posição e medidas que têm vindo a ser adiadas e que, pelos vistos, vão continuar a sê-lo. Portugal precisa de rever prioritariamente as suas relações com a União Europeia, outros países e organismos internacionais, e não vai ser este governo que o vai fazer. E António Costa, será disso capaz? Pensará sequer nisso? As suas referências sobre a imagem distorcida que lá fora se criou sobre os portugueses não chegam. E o crescimento económico sustentável, o desemprego, a desertificação do interior? Sem uma resposta forte nestes campos, que terá sempre de ser amplamente discutida e participada pelos portugueses em geral, não haverá governo que nos valha.

2 Comments

  1. Tem razão: o ps é um partido “caixa de votos” que foge de actuar com e por intermédio dos seus militantes de base e portanto com a população. E compreende-se: nunca o fará porque sabe que lhe está vedado esse procedimento (que as elites capitalistas taxam de “revolucionário” porque exige tomada de consciência política dos problemas e esforços concretos e sérios para os resolver por parte dos envolvidos). Não queria ser pessimista mas A.C. vai falar, vai dizer, vai comentar, vai dizer, vai falar em ciclo até ter responsabilidades concretas e se enfrentar com tomadas de posição; então (se fôr o caso) se verá ! Nunca me esqueço de Hollande e da sua ridícula figura (de libertador da economia e dos cidadãos franceses a vassalo e guerreiro sob o comando da nato/pentágono e a lambe botas da sra ângela).

Leave a Reply