CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – Que sabem os bispos cristãos católicos das famílias de hoje? – por Mário de Oliveira

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Os bispos cristãos católicos são hoje uma espécie em vias de extinção. Melhor ainda: O próprio cristianismo, que está na origem da existência dos bispos cristãos católicos, é um sistema que nunca deveria ter nascido e que tem de ser definitivamente extinto, para que os seres humanos possam ser-viver-crescer de dentro para fora, até serem, pelo menos, outros Jesus, mulheres e homens indissoluvelmente unidos entre si, que cristo/messias/poder algum jamais possa separar. O problema é que o cristianismo, fundado sobre o mito cristo/messias, leva já dois mil anos de infantilização das populações, e as suas elites privilegiadas, mais do que muitas, em outras tantas igrejas-empresa, não se mostram dispostas a abrir mão do poder e dos privilégios que este lhes garante. São tão cegos, a começar no bispo de Roma, o poder dos poderes, e a acabar no mais humilde cura de aldeia, que, no seu narcisismo corporativo, se pensam inquestionáveis e se têm na conta de insubstituíveis. Tão pouco olham a meios para se perpetuarem no poder, nos privilégios, no inumano institucional. Chegam a meter dó, de tão vaidosos e pavões que são e se apresentam perante a plebe. Nem sequer se apercebem de que já vamos terceiro milénio adiante, e que a Idade Média está lá muito para trás, tanto, que as novas gerações têm grande dificuldade em dar por ela, tão centradas que vivem neste nosso hoje carregado de futuro. O Sínodo dos bispos que amanhã começa em Roma e que se propõe debater as novas e prementes questões com que estão confrontadas as famílias da actualidade, é a prova acabada do que aqui acabo de escrever. São todos homens celibatários à força, oriundos de múltiplas partes do mundo, que se atrevem a abordar uma realidade que não conhecem de todo, a não ser dos livros, e que está a milhas de distância do universo clerical de conceitos a que vão ter de recorrer para se entenderem entre si, mas se desentenderam, completa e definitivamente, da realidade. Mal vão as famílias de carne e osso, se se deixarem guiar por estas elites cristãs católicas romanas. São guias cegos que as conduzirão para o pior dos infernos, o da inumanidade disfarçada de virtude e de santidade. O horror dos horrores!

4 Outubro 2014

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