RAPARIGAS E RAPAZES DE LISBOA – FILINTO ELÍSIO – UM EMIGRANTE POLÍTICO

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(1734 - 1819)
(1734 – 1819) Obrigado à Wikipedia

 

Francisco Manuel do Nascimento nasceu em Lisboa, a 23 de Dezembro de 1734. Era de origens humildes, filho de um pescador e de uma peixeira, ambos naturais de Ílhavo, e que emigraram para Lisboa, devido aos prejuízos causados pelo encerramento do canal que ligava a Ria de Aveiro ao mar. Graças à protecção de um amigo da família, mestre das Fragatas Reais, fez os seus estudos, tendo seguido a carreira eclesiástica, como muitos jovens do seu tempo, mesmo que para tal não tivessem vocação. Terá sido o caso de Francisco Manuel de Nascimento.

Já compunha versos quando ainda era bastante novo, mas só bastante mais tarde os começou a publicar. Não integrou a Arcádia Lusitana, o grupo oficioso dos poetas de Lisboa, mas participou noutro mais informal, o dos Amigos da Ribeira das Naus. Terá no convívio desta sociedade literária que usou o pseudónimo de Niceno. Entretanto, para além de outras actividades, dava lições de latim e de música, sendo nessa função que conheceu as filhas do Marquês de Alorna, inimigo do Marquês Pombal, que se encontravam encerradas no Convento de Chelas, na sequência do chamado processo dos Távoras. Manteve com elas uma longa amizade, e terá mesmo mantido uma relação amorosa com Maria, a mais nova. Foi a mais velha, Leonor, quem lhe atribuiu o nome literário de Filinto Elísio, que ficou para a posteridade. Ele, por seu turno, chamou-lhe Alcipe.

Francisco Manuel era admirador confesso do Marquês de Pombal. Quando morreu o rei D. José, em 1777, recrudesceu o poder da Inquisição, e ele foi alvo de uma denúncia, sendo acusado de leitura de livros proibidos e de ateísmo. Teve de se exilar, indo viver para Paris, onde se fixou. Nunca mais voltou a Portugal e, à excepção de uma estada de quatro anos em Haia, permaneceu na capital francesa até morrer.  Levou ali uma vida com bastantes dificuldades, sobrevivendo à custa do seu trabalho, em que avultam, para além de escritos próprios, as traduções para português de latim e de francês. Neste capítulo são habitualmente referenciadas as Fábulas, de Lafontaine, os Mártires, de Chateaubriand, e a Púnica, de Sílio Itálico, bem como obras de outros clássicos romanos. As suas obras em verso foram publicadas ainda em sua vida, em Paris. Cultivou amizades ilustres, como a de Lamartine, a quem terá dado lições de português, que lhe dedicou um poema, Divino Manuel. Foi um simpatizante de Rousseau e dos ideais da Revolução Francesa. Exerceu grande influência sobre os pré-românticos, sendo de recordar os elogios que Almeida Garrett, seu admirador declarado, lhe faz, como na Lírica de João Mínimo.

Francisco Manuel de Nascimento, conhecido por Filinto Elísio, faleceu em Paris em 25 de Fevereiro de 1819.

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Sugere-se a leitura de:

Arlindo Correia:

 http://arlindo-correia.com/180310.html

Brunno V. G. Vieira:

http://www.letras.ufmg.br/nuntius/data1/arquivos/001.06-Brunno69-86.pdf

e ainda:

http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.pt/2009/05/o-ultimo-mestre-do-arcadismo.html

 

 

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