PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO – CHIKUNGUNYA, DENGUE ET ZIKA MAS SE PELO CONTRÁRIO SE LIBERTÁSSEMOS OS MOSQUITOS? – por MICHEL LHOMME

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 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

moustiques - I

 

PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO

 Chikungunya, dengue et zika mas se pelo contrário se libertássemos os mosquitos ?

Michel Lhomme, Principe de précaution- Chikungunya, dengue et zika mais si au contraire on lachait les moustiques ? 

Revista Metamag, 17 de Setembro de 2014

Parte I

O nosso colaborador Michel Gay recordou, citando-o, o aspecto nefasto do artigo 5 da Carta do ambiente. Quereríamos aqui mostrar um exemplo concreto, direi até mesmo, que se trata de um exemplo bem  picante.

Um cenário de catástrofe pela epidemia de chikungunya atinge actualmente as Antilhas francesas com uma progressão alarmante em que há já 900 casos identificados. A Nova Caledónia também é tocada e espera-se em breve que a Polinésia francesa o seja também. Para já, esta última registou em 2013-14 mais de 30.000 casos de zika e mais de 29.000 casos de dengue. Todas estas epidemias representam um custo não negligenciável em despesas de saúde, em despesas de hospitalização, em honorários de médicos, em compras de medicamentos, em paragens de trabalho, em suma, custos estes que estão muito longe de poderem ser suportáveis dado o enorme buraco da segurança social!

Em todos os casos, a contaminação pelo chikungunya, zika, dengue (e este último pode ser mortal) tem apenas uma só origem: o mosquito e em especial, uma espécie de mosquito, o Aedes aegypti. Toda a gente sabe efectivamente que o mosquito é uma verdadeira calamidade pública, que mata 725.000 pessoas no mundo por ano (números do blog de Bill Gates) e que para assegurar a sua reprodução, só as fêmeas mosquitos têm necessidade de picar os animais, entre os quais o homem, para se alimentarem do sangue.

Uma resposta errada

moustiques - II

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Face aos mosquitos, é, por conseguinte, a guerra, uma guerra a que se chama na gíria médica de além mar, “a luta antivectorial” (o LAV). Em Guadalupe, passam-se permanentemente spots publicitários transmitidos pela televisão nas quais se pede à população que destrua os locais de larvas, que se utilizem mosquiteiros, que se cobram de repelentes e seguidamente sobretudo, e esta é a palavra chave, que “pulverizem”. Pulverizar, aplicar insecticidas, é para as autoridades sanitárias francesas a resposta eficaz, a única resposta aos mosquitos. Ora, hoje sabemos que isto é falso! Os pesticidas estão longe de ser a panaceia não somente porque são tóxicos, provocam prejuízos colaterais irreversíveis (em especial sobre as abelhas, elo indispensável da vida sobre a terra pela polinização) mas também e sobretudo porque se mostram particularmente ineficazes nas regiões tropicais particularmente húmidas e luxuriantes,  a não ser que  erradicassem  por exemplo todas as flores em campânulas ou de drenar os rios. Mas há pior, os mosquitos são agora capazes de se adaptarem, e muito rapidamente, aos insecticidas. Os insectos como qualquer animal fazem mutações (princípio da evolução) e registou-se uma mutação genética (gene GSTe2) que permite ao mosquito “não morrer” ao contacto por exemplo dos pyréthrinoïdes (o deltamétrhine que é o principal insecticida que utilizamos). Assim, cada um que esteja nas Antilhas, na Reunião ou na Polinésia terá podido verificar que mesmo pulverizando, tem-se sempre muitos mosquitos à nossa volta!

(continua)

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Ver o original em:

http://www.metamag.fr/imprimer-metamag-2254-PRINCIPE-DE-PR%C3%89CAUTION-Chikungunya-dengue-et-zika-mais-si-au-contraire-on-lachait-les-moustiques-.html

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