O QUE SE SEGUIRÁ AGORA ? por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

O Mundo da escola obrigatória tem feito uma longa caminhada no sentido de tornar, efectivamente, a escolaridade num direito e num dever dos cidadãos. A Escola tem sido alvo de variadíssimos estudos no sentido de se compreender a sua função e a sua finalidade.

Mas os responsáveis pela Educação, em Portugal, têm contribuído para a destruição desse direito fundamental. Temos garantido o Direito à Educação porque não há crianças fora do sistema educativo.

Temos muitas crianças que não têm as condições necessárias para poder ter o conhecimento necessário para viverem numa sociedade mais justa e mais humana, também construída por elas.

Não gostam da Escola, não vão à Escola, têm dificuldade de aprendizagem e não têm o professor necessário para o ajudar a aprender o que os outros aprendem…

A sociedade encarrega-se de publicitar que a escola não dá a devida atenção aos seus alunos, tudo o que acontece de menos bom é da responsabilidade dos professores, esquecendo-se que a escola não faz, nem pode fazer o que a família não faz: educar.

O Ministério da Educação e Ciência tem feito uma cirurgia no sistema educativo para que todos possam estar na escola, recorrendo a todos os mecanismos para que se selecionem os alunos na formação de turmas, no sistema dual, nas avaliações, nos rankings.

Esta política neo liberal (?) no ensino vai levar-nos a um país culturalmente pobre, a um país em que o importante é o ter e não o ser.

Que saudades tenho do tempo em que a tutela e os professores trabalhavam com entusiasmo, em que a tutela aprovava os projectos das escolas porque olhava para elas respeitando a especificidade de cada uma.

Alguém acredita que nos mega agrupamentos as escolas mantenham a sua identidade?

Hoje as escolas não têm rosto.

A escola deixou de ser conhecida pelo seu projecto educativo, deixou de ser conhecida pela pessoa responsável, pela pessoa que sabia o nome dos alunos, dos professores, das auxiliares (é assim que ainda são conhecidas as operacionais educativas).

O ano lectivo de 2014/2015 começou de uma maneira de que não há memória, já não há caracteres do computador que possam escrever mais do que já escreveram!

Os professores, os sindicatos e alguns pais pedem a demissão do Ministro, mas neste momento já não basta exigir essa demissão, têm que pedir a demissão do Governo que não sabe o que é Educação, Saúde, Justiça…. que dá o mau exemplo de vir pedir desculpa de uma forma arrogante, quase ameaçadora e patética, prejudicando a vida afectiva de muitas pessoas.

O governo não tropeçou numa pedra, deu um grande pontapé na pedra magoando, e muito, quem dele depende.

nuno crato

As desculpas não se dão, evitam-se.

Porque se fez o estatuto do aluno? Bastava pedir desculpa e partia para outra agressão…

O que se seguirá agora?

 

 

 

1 Comment

  1. Excelente artigo -é como um grito de aflição .Há certamente uma intenção bem escondida por detrás de todo esta pseudoconfusão .Penso ,por vezes ,de que é um plano bem arquitetado por forças políticas -sabotagem?Neste País tudo é possível .Lecionei 37 anos ,uns tantos no outro lado do mar ,outros neste País e nem o 25 de Abril criou esta balbúrdia . Forças estranham trabalham sem parar com a intensão de desmistificar o ensino público .Digo isto pelo facto de constatar que andam de medidas em medidas .Ou o Passos Coelho prefere mostrar ” antes quebrar do que torcer” ou então pretende passar uma batata a escaldar ao “senhor que se segue ” Maria

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