NESTE DIA… Em 12 de Outubro de 1307, começava a ser desmantelada a Ordem do Templo

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Em 12 de Outubro de 1307, numa operação surpresa, Filipe IV, o Belo,  mandou prender 140 cavaleiros templários. Quase sete anos depois, em 18 de Maio de 1314, em Paris, o grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, foi queimado vivo após a campanha que o rei orquestrou contra a poderosa ordem militar. O grão mestre foi torturado durante sete anos e executado com o consentimento ou, talvez melhor, com a cumplicidade do Papa Clemente V. Mas quem era este homem para que a mão da Igreja de Roma e o braço real de França se tenham unido para eliminar? Que perigo significava para os poderes instituídos esta Ordem? Vamos tentar alinhar alguma informação sobre um mistério que, tendo fornecido assunto para milhares de livros, nunca foi esclarecido. E dificilmente o será, pois realidade e lenda misturam-se de forma inextricável.

 

A Ordem dos Templários ou a Ordem do Templo ( do francês “Ordre du Temple”), foi a mais importante ordem militar de cavalaria da Idade Média. Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici o que traduzido do latim significa “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”. Foi fundada em 1118 por Hugo de Payens, e por outros 8 cavaleiros, com o beneplácito do novo rei de Jerusalém, Balduíno II, após a Primeira Cruzada, proclamada pelo papa Urbano II, em 1096. O objectivo fundacional desta Ordem foi o de proteger os peregrinos que na sua caminhada para Jerusalém, eram atacados por bandos de ladrões e de defender a Terra Santa dos sucessivos ataques dos maometanos. O quartel-general dos templários situava-se no cume do monte onde, segundo a tradição, se erguera o templo de Salomão. A divisa que ostentavam foi extraída do livro dos Salmos e dizia Non nobis Domine, non nobis, sed nomine Tuo ad gloriam” (“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome concedei a glória”). O brasão de armas, mostrando dois cavaleiros sobre uma mesma montada, aludia à pobreza da Ordem.

A Igreja de Roma, aprovou e oficializou a Ordem, no pontificado de Honório II, em 1128. Foram-lhe concedidos privilégios e isenções tais que rapidamente em toda a cristandade os templários se implantaram. A riqueza da Ordem cresceu exponencialmente, com fortificações dos templários a surgir por toda a Europa e pela terra Santa. Ao mesmo tempo que o poder militar aumentava, monges não combatentes criavam o que hoje consideraríamos um sistema bancário, usando práticas financeiras extremamente avançadas para a época.

Enquanto as Cruzadas duraram o poder e a riqueza dos templários não cessou de aumentar, embora os seus membros fizessem voto de pobreza (e de castidade). Quando a Terra Santa foi perdida para os muçulmanos, a necessidade das unidades de combate de que a ordem dispunha deixou de existir. Aquela organização poderosa e rica assustava os poderosos. Filipe IV (O Belo) de França devia muito dinheiro à Ordem – se a Ordem fosse extinta, não seria necessário pagar as dívidas.

Inventou-se então histórias escabrosas sobre a cerimónia de iniciação secreta dos Templários. Acrescente-se que eles não seriam santos e que algumas das histórias seriam verdadeiras – a regra da pobreza e a da castidade não teriam sido cumpridas com rigor. Coisa a que sempre se tinha fechado os olhos, enquanto eles foram necessários. Agora que se haviam tornado incómodos, até pactos com o diabo se lhes apontava.

A campanha de boatos, verdades, meias-verdades e descaradas mentiras, lançada por Filipe o Belo, surtiu efeito. Em 12 de Outubro de 1307, numa operação de surpresa, os Templários foram aprisionados e queimados vivos. Em 1312 o papa Clemente V dissolveu a Ordem e em 18 de Março de 1314 o seu grão-mestre foi também executado. De notar que Clemente V morreu no mês seguinte e Filipe o Belo em Novembro do mesmo ano (facto que não deixou de ser especulado).

As dívidas à Ordem ficaram saldadas.

É interessante verificar que este método de pagar dívidas, liquidando o credor, foi utilizado muitas vezes contra a usura judaica. À perseguição que foi movida, nos séculos XV e XVI, aos filhos de Moisés na Península e ao próprio Holocausto, essa motivação não foi, de modo algum, alheia.

Os bancos a quem quase todos, hoje em dia, devem alguma coisa – a casa, o carro ou até o televisor de plasma – deviam atentar nestes exemplos históricos e pensar duas vezes antes de agravar os juros. Não terão os banqueiros algum pacto com o tal senhor de cauda, chifres e pés de cabra? Nunca notaram nos balcões que frequentam um estranho odor a enxofre?

(Adaptação de um artigo de Carlos Loures publicado no Estrolabio)

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