PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO – CHIKUNGUNYA, DENGUE ET ZIKA MAS SE PELO CONTRÁRIO SE LIBERTÁSSEMOS OS MOSQUITOS? – por MICHEL LHOMME

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

moustiques - I

PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO

 Chikungunya, dengue et zika mas se pelo contrário se libertássemos os mosquitos?

Michel Lhomme, Principe de précaution- Chikungunya, dengue et zika mais si au contraire on lachait les moustiques ? 

Revista Metamag, 17 de Setembro de 2014

Parte II

(conclusão)

Mas que fazer? 

moustiques - IV

   moustiques - V

É aí que intervém a investigação científica. Existe uma nova solução preventiva que o Ministério da Saúde francês ignora ou finge ignorar deliberadamente. É a solução preventiva RIDL de Oxitec aplicável unicamente ao Aedes aegypti. Em que consiste esta solução? Consiste “a prender” o mosquito aquando da sua reprodução graças a um método revolucionário da engenharia genética que utiliza uma substância proteínica não tóxica que “quebra o ciclo de reprodução do Aedes. Esta técnica consiste em produzir mosquitos machos estéreis dotando-o de um gene fatal que transmitido à sua descendência permitirá a extinção da espécie. Trata-se de produzir muito simplesmente mosquitos geneticamente alterados que “se soltarão ” seguidamente na natureza. Em vez de pulverizar com os  insecticidas em qualquer sítio onde possam estar, propõe-se aqui “soltar” periodicamente mosquitos machos dotados do gene fatal para quebrar o seu ciclo de reprodução e erradicar assim os mosquitos selvagens. Os mosquitos Oxitec do nome do laboratório de Oxford que desenvolveu e tornou aplicável esta técnica, assentam numa tecnologia de ponta e não agressiva para com o meio ambiente (os mosquitos soltos são machos que por definição, não podem picar nem transmitir o vírus). O procedimento não utiliza insecticidas e somente esta espécie é visada, ou seja esta técnica não tem nenhuns efeitos colaterais. Além do mais, estudos no terreno provaram a eficácia da tecnologia reduzindo as populações de Aedes aegypti em cerca de 99% no Brasil e nas ilhas Caimões (estudos que foram publicados em Nature Biotechnology de 2011 e 2012). Um programa operacional para uma cidade de 50.000 habitantes está actualmente a ser aplicado no Brasil e foi iniciado um novo projecto no Panamá em Abril de 2014.

No entanto, no ultramar francês não se sabe de nada enquanto que o ultramar francês é um terreno ideal para este tipo de tratamento se pensarmos, por exemplo, num pequeno território como a Reunião ou Mayotte. Porquê? Porque muito simplesmente a França se excluiu da concorrência mundial sobre as biotecnologias proibindo-se, em nome do princípio de precaução, a cultura de organismos geneticamente alterados (OGM) pelo famoso artigo 5 da Carta do Ambiente do qual nos fala Michel Gay.. Sabe-se no entanto que não há risco zero em ciência mas o método RIDL permanece inaplicável na França devido ao princípio de precaução que, tanto pior para uma ecologista francesa, não se trata aqui de plantas mas de animais geneticamente alterados! Pense-se bem: o mosquito é um animal tão simpático! A precaução filosófica-científica à Jonas conduz aqui bem directamente à estupidez científica mas sobretudo à estupidez política e sanitária. A título de informação, recordemos de resto que a Academia pontifical das ciências apoia os OGM. A França seria por conseguinte mais retrograda que os padres?

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O método RIDL de Oxford que é, no entanto, o resultado de doze anos de investigação de elevado nível e está já, de resto, autorizado como o sublinhámos anteriormente, para uma aplicação comercial no Brasil e no Panamá mas também noutros países como nos Estados Unidos, na Índia e em certos países europeus. O director do laboratório de Oxford é o Dr. Luc Alphey que obteve o título Innovator of the Year 2014 e este cientista está agora a estudar o mesmo método e o mesmo processo de engenharia genética para ser aplicado contra o paludismo, verdadeira calamidade da humanidade. Assim, não somente, franceses do ultramar vão continuar a deixar-se picar mas vão continuar a fazerem-se pulverizar incluindo ao chlordécone aplicado contra o pulgão da bananeira. A esperança para Paris, seguramente é que amanhã, eles se possam fazer vacinar por Sanofi, a vacina contra as febres tropicais que é a única orientação actual da investigação francesa. De facto, a próxima vacina tetravalente contra o dengue (Sanofi) teria actualmente 56% de eficácia de acordo com os últimos testes efectuados na Ásia. Ora eliminar o vector pelos  OGM mostra-se obviamente mais fácil e menos dispendioso do que produzir vacinas em série, mesmo se é verdadeiro que para os farmacêuticos e para os médicos as vacinas são, sem dúvida, mais lucrativas! Notemos que ao lado do método de Oxitec e da vacina de Sanofi, existe de resto um terceiro protocolo de erradicação, o Wolbachia da fundação Bill Gates. Este consiste em infectar o mosquito com uma bactéria que parará a transmissão da dengue no mosquito. Wolbachia foi já testado na Austrália e sobretudo em Saigão, no Vietname. Dá sinais sobretudo animadores mas os resultados estão ainda a ser obtidos. O Instituto Louis Mallardé de Papeete estaria em experiências actualmente sobre a espécie Aedes polynesiensis, a bactéria Wolbachia numa ponta do território.

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Assim, trata-se do caso OGM (aqui para animais) mas seria válido também para OGM vegetais, e disso é um exemplo espantoso para não dizer de pasmar o caracter suicida do princípio de precaução das ecologistas e da nossa Carta do ambiente. Podemos, por conseguinte, felicitarmo-nos da alteração proposta pelo senador Jean Bizet de 27 de Maio de 2014 porque entreabre para os investigadores hexagonais um novo espaço de trabalho mais prometedor mas continua a ser muito modesto e, sobretudo, não altera em nada a mentalidade francesa timorata em investigação biotecnológica inovadora e fortemente resiste contra OGM. Assim, os escafandristas da luta anti-mosquitos de uma outra era continuarão a circular ainda por muito tempo nas ruas de Guadalupe! Então, fechem as vossas janelas, cacem os mosquitos ao som do gwoka mas não esqueçam que os mosquitos dançam também a zumba!

Michel Lhomme, Principe de précaution- Chikungunya, dengue et zika mais si au contraire on lachait les moustiques? Revista Metamag, publicado a 17 de Setembro de 2014.

Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/imprimer-metamag-2254-PRINCIPE-DE-PR%C3%89CAUTION-Chikungunya-dengue-et-zika-mais-si-au-contraire-on-lachait-les-moustiques-.html

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