Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
MATIGNON CONTRA O ELISEU: A caminho de uma revolução palaciana
O dono do palácio quer tomar o poder
Raoul Fougax, MATIGNON CONTRE l’Elysée : UNE RÉVOLUTION DE PALAIS – Le maire du palais veut prendre le pouvoir
Revista Metamag, 13/10/2014
O vizir não tem necessidade, para governar, de tomar o lugar do califa. É-lhe suficiente que confine o califa no seu palácio. A França conhece muito bem este processo que se conclui pela marginalização dos reis preguiçosos merovíngios e pela subida do presidente do palácio que vai gerar um novo regime, o dos capetos.
Parece que estamos agora a assistir a um processo deste tipo com a marginalização do actual presidente fortemente contestado e contradito pelo seu primeiro ministro e pelo seu ministro da economia. “Não deve haver tabu nem posição fixa. A segurança social, ao nível do subsidio de desemprego, está com um défice de 4 mil milhões de euros; qual é o responsável político que pode aceitar esta situação? Houve uma reforma, esta é insuficiente. Não se poderá ficar aí”, afirmou no domingo Emmanuel Macron, nas colunas do JDD. O inquilino de Bercy ameaçou com a possibilidade de que, se os parceiros sociais não resolvessem assumir e enfrentar o problema, o Estado “retomá-lo-ia em mãos se os bloqueios forem muito pesados”. “A esquerda não tem tabus, mas tem alguns totens, em especial o facto de que quando o presidente da República se exprime, os ministros aplicam”, respondeu Jean-Christophe Cambadélis à sua chegada ao conselho nacional do PS à Paris.
O presidente, com efeito, tinha-se exprimido sobre a questão mas o ministro não teve isso em conta. É muito grave face aos espírito das instituições. Depois de um novo fim-de-semana de grandes evasivas à à esquerda sobre a reforma do sistema de subsídio de desemprego o Élysée esclareceu. A negociação sobre o seguro de desemprego “acontecerá na altura própria”, mas “não imediatamente”, afirmou, na segunda-feira, a presidência da República, no dia seguinte ao da controvérsia desencadeada pelo ministro da Economia, Emmanuel Macron. No Journal de Dimanche, este último julgava, completamente alinhado com Manuel Valls, que a reforma do sistema de subsídio de desemprego que tinha sido feita recentemente era “insuficiente”. Tudo isto para acalmar o jogo mas o mal está feito.
François Hollande tinha sublinhado na quinta-feira que havia “temas suficientemente para que nós estejamos bem ocupados e mostremos que fazemos reformas úteis para o emprego”, re-situando as intenções atribuídas ao Primeiro ministro, Manuel Valls, segundo as quais a questão do montante e a duração da indemnização no desemprego em França devia “ser reposta”.
Antes, havia diferendos no governo, agora existem mas é entre o Presidente e o governo. Valls foi de facto imposto a Hollande e os dois homens não estão sobre a mesma linha. O partido, este, apoia o presidente contra este Valls detestado. O presidente está contudo na defensiva, incapaz de se mexer, incapaz de se afirmar. Contudo, continua a ter a arma nuclear da dissolução. O PS certamente não a quer aplicar, mas o presidente, ele, poderá ter algum interesse em a utilizar.
Se dissolve o Parlamento, Hollande continua no Eliseu e adeus Valls e Macron, estes dois estarão errados em o esquecer.
Raoul Fougax, MATIGNON CONTRE l’Elysée : UNE RÉVOLUTION DE PALAIS – Le maire du palais veut prendre le pouvoir
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