O medo de facto instalou-se, como diz Rui Zink no seu livro A Instalação do Medo.
Como é possível os nossos professores serem tratados como se fossem apenas números e não Pessoas, Indivíduos, Cidadãos que cumprem com os seus deveres democráticos.
Como é possível que os nossos professores sejam colocados numa escola, tenham alunos e depois sejam mandados embora, como se fossem encomendas que foram entregues à pessoa errada e, por isso, mandadas para trás porque o programa de colocações assim o ditou. E ditou de tal maneira que estes professores foram colocados no horário zero, depois deterem estado a leccionar na outra escola!!!
Estes professores estudaram durante o seu curso, fizeram muitas acções de formação enquanto davam aulas para melhorarem os seus métodos pedagógicos e os seus conhecimentos, tendo em vista o sucesso dos seus alunos que são os filhos dos cidadãos que também cumprem com os seus deveres perante a sociedade.
O MEC, através do seu Ministro, declarou hoje que para o próximo ano lectivo não vai haver “experimentalismos”…
Fiquei perplexa e pensei, então o Ministro sabia que estava a experimentar um método diferente de colocação de professores, um método que agrupa as diferentes e muitas variáveis de cada professor e faz a sua ordenação!
O que é verdade é que esse método ainda não tinha sido posto em prática e…falhou, o que não devia ser novidade para o Professor Crato, porque essa possibilidade de erro ele sabia que podia acontecer.
Porque não pôs uma equipa, conhecedora desse método, a dar assistência ao minuto, para evitar esses erros que deixaram danos irreparáveis em várias famílias, em várias crianças, na sociedade.
Sim, porque não ao minuto se o MEC não hesitou em exigir aos Agrupamentos, pelo telefone às 23horas trabalho para ser entregue até às 24 horas.
O tempo da escravatura já acabou, mas parece que se inventou outra forma de escravizar os trabalhadores, que com medo de exigirem os seus direitos cumprem só com os seus deveres.
Aulas de compensação? O que são aulas de compensação? Será dar mais carga horária aos professores e aos alunos, que não tiveram culpa desta trapalhada, desta incompetência? Será terem aulas nas férias? Será fazerem os exames depois dos outros colegas? E os alunos que têm dificuldades de aprendizagem e de comportamento na escola? Quem vai definir como são compensados esses alunos? Será que cada Agrupamento vai fazer à sua maneira correndo-se o risco de haver graves disparidades entre as opções tomadas?
Talvez seja o momento dos Directores dos Agrupamentos, sem receios, enfrentarem esta situação tendo em vista o sucesso de todos os alunos e a serenidade nas escolas.
Talvez seja o momento de os pais, através dos seus representantes, terem também uma opinião a trocar com os Directores e com o Ministério, relativamente à compensação que estes alunos têm que ter durante este ano lectivo.
“Cortar” no programa não é solução e, se o for, então há que pôr em causa esses mesmos programas e as metas a atingir.
Que vergonha para todos nós a forma como decorreu a colocação de professores no ano lectivo de 2014/2015!
Daqui a uns anos vai-se olhar para esta trapalhada como algo impensável numa sociedade democrática, vai-se olhar para esta trapalhada com a indignação da não resposta por parte das escolas e dos encarregados de educação.
A não resposta corresponde ao medo? Ao medo porquê? Os saneamentos já acabaram e a PIDE já não existe.
Falemos sem medo porque a liberdade de expressão do nosso pensamento está consignada na Constituição Portuguesa.