Parece que em França os partidos de maior peso na cena política andam a pensar em mudar de nome. Desde o partido socialista (que há muito tempo se sabe que não o é), com Manuel Valls a defender que o partido deve retirar a palavra socialista do nome, para não estar agarrado a um passado nostálgico, até Sarkozy que também pretende que a UMP – União para o Movimento Popular altere a sua designação. Mesmo Marine Le Pen quer alterar o nome da sua formação política, enfrentando ao que parece a forte oposição do pai. Vejam os links em baixo.
Será uma moda? A França, tradicionalmente, era a pátria das modas. Também é verdade que em tempos serviu de guia no campo das artes e das ideias políticas. Mas não pensamos estar perante uma reminiscência do século XIX. Talvez se trate sim de um sentimento comum a políticos de vários quadrantes, conscientes das enormes incoerências que são detectadas na sua acção política, e que procuram defrontar (não julgamos o termo exagerado) a opinião pública, que regularmente, cada vez mais lhes aponta como traem constantemente os ideais que apregoam e que, ao fim e ao cabo, os levaram ao poder. Eles sabem que os partidos são máquinas para a conquista e manutenção do poder, cuja aceitação pelos eleitores assenta na crença popular de que, num dia futuro, mais ou menos longínquo, cumprirão as promessas que fazem, quando julgam vantajoso. Constatando-se cada vez mais que essa crença está muito enfraquecida, constrói-se um novo cenário, mais ou menos fantasista, conforme a habilidade do artista político, com uma nova designação. O conteúdo, esse, provavelmente, vai piorar ainda mais.
Entre nós fala-se muito do pouco que a designação de cada partido corresponde à sua acção. Não será de espantar que dentro em breve algum dos nossos líderes queira imitar os colegas franceses. Quem foi que disse que Portugal era um país traduzido do francês?
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