O ano lectivo começou para a alegria de muitas crianças, para a ansiedade de muitos professores, para o excesso de trabalho das direcções dos mega agrupamentos.
Os processos atrasam-se e a “culpa” recai em quem não tem recursos humanos para funcionar, as escolas.
Professores e direcções dos mega agrupamentos não sabem ainda qual a sua situação para este ano lectivo. Professores que aceitaram a rescisão de contrato queixam-se de como está a ser feito o processo de aceitação, ou não, dos seus pedidos.
A muitos foi negada a rescisão, a muitos foi aceite quando os professores já tinham anulado o pedido, por causa das condições oferecidas.
Chegaram ao MEC 3606 requerimentos dos quais foram aceites 1771.
Turmas com 26 alunos são atribuídas a professores que pediram a rescisão de contrato, os professores da mobilidade interna tiveram que se apresentar na escola do ano passado…isto para não falar no professor que tinha já desistido do concurso e foi colocado em 75 escolas!… e a lista de situações evitáveis ainda vai a meio.
Aí vem mais um ano de legislações para engrossar os dossiês dos professores e da direcção das escolas.
Aí vêm as inúmeras reuniões, que começam cedo e acabam tarde. Está legislado que as reuniões se fazem em duas horas e meia. Seria bom que assim fosse…a legislação, e outras questões burocráticas, ocupam muito mais tempo do que estas duas horas e meia, o mais importante fica por abordar, os problemas na sala de aula, as aprendizagens dos alunos, o que fazer com os alunos que precisam de mais atenção quanto há mais vinte e seis à espera de uma explicação do professor.
Cada aluno, cada professor tem a sua capacidade de espera e de resposta.
Como se compreende que os professores do 1º ciclo, que o Ministério considera em excesso, não sejam colocados? No telejornal ouve-se que o rácio de professor/ aluno em Portugal é de dez alunos. Que boa oportunidade para fazer mais uma turma, para cada uma que tivesse vinte e muitos alunos!
Os professores são colocados a muitos quilómetros de casa e ponderam se vale a pena aceitar a colocação, pois, feitas as contas, o ordenado é quase todo para a deslocação e alimentação fora de casa.
Mas os professores continuam a acreditar que o mais importante na Educação são os bons resultados dos alunos, incluindo a cidadania, a educação sexual, a educação vivida olhos nos olhos. (continua amanhã)


