Todos sabemos que há pessoas crentes que são inteligentes e cultas, se bem que os conceitos de inteligência e cultura nem sempre sejam fáceis de definir. De qualquer forma, em meu entender, não foi a cultura nem a inteligência, mas outra razão qualquer, que gerou e enraizou a crença, o que não é difícil de descobrir e compreender se nos debruçarmos sobre o assunto. A verdadeira cultura, isto é, a que decorre do desenvolvimento do conhecimento humano, e consequentemente do conhecimento científico e da razão é, habitualmente, um obstáculo a todas as crenças, e conduz muito mais seguramente ao antagonismo do que ao agonismo da fé. A Igreja tem homens inteligentes, ou de hábil dinâmica neuronal, não podemos negá-lo, embora minados de fragilidades e contradições que, em minha opinião, resultam de uma consuetudinária mentira e de uma hierarquia fundamentalista que impõe, pela inércia de ideias paralíticas e pela força do poder temporal a que sempre esteve ligada, uma mensagem falsa, secularmente despida de bases racionais. Tal mensagem nada tem a ver com a verdadeira libertação do Homem, ou seja com a procura da luz e da clareza da sua mente. Antes pelo contrário, explora e expande todos aqueles conceitos arcaicos que sempre contribuíram fortemente para o obscurantismo, para a exploração e a repressão, liderando sofismaticamente a luta pelos fracos, no terreno fértil de uma humanidade sofredora, aterrorizada e inculta, vítima maior desse mesmo poder que sustenta e sempre sustentou a Igreja.

