CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – ELEIÇÕES NO BRASIL: QUEM PERDEU? – por Mário de Oliveira

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A campanha eleitoral foi prolongadamente obscena. Nojenta. De causar vómitos. Primeiro, trituraram Marina da Silva e ela ficou na lama. Restaram dois candidatos ao palácio do Planalto. Cresceu a onda dos insultos recíprocos. Bocas sujas, até dizer basta. Com tudo o que é tv, revista, jornal, rádio, comício, a massacrar as populações dos múltiplos Estados do Brasil. A máquina do poder político é estrutural e mortalmente envenada/envenadora. Devora os próprios candidatos. Tira-lhes tudo. Põe-nos de rastos. No final do massacre politico, ganha o candidato que tem a máquina mais capaz de manipular-matar a mente-consciência das populações. No dia de votar, as ruas enchem-se de eleitores. O ar deles, é o de condenados. Votam maioritariamente naquele candidato, cuja máquina foi mais eficaz no acto de manipular as mentes-consciências das populações. Sobretudo, as das mais empobrecidas, desesperadas, oprimidas, sem horizontes nos seus quotidianos de desespero e de fome. A do pão. A da saúde. A da beleza. A dos afectos. Desta guerra de ataques/insultos, os mais soezes, saiu vencedora Dilma. E quem perdeu? Pensam que foi Aécio, o outro candidato? É o que dizem-escrevem hoje todos os meios de informação. Até apresentam as percentagens da vitória de Dilma e as da derrota de Aécio. São todos meios de informação deste tipo de mundo. Fazem o que os respectivos patrões lhes ordenam. Estão contratualmente proibidos, sob pena de exclusão e de condenação à morte pela fome, de quebrar as regras do jogo do poder. De dizer a verdade. E a verdade é que quem perdeu, foram as populações do Brasil. Mesmo as que votaram em Dilma. A verdadeira vitória é exclusivamente do poder, o patrão deste tipo de mundo, estruturalmente iníquo, injusto, manipulador das mentes-consciências, despótico, mentiroso, caluniador, assassino. O mesmo que produz os pobres aos milhões e a pobreza estrutural. E Dilma? Deveriam ver a amargura/solidão que a rói por dentro. É um joguete nas mãos do poder. O poder dá-lhe tudo, em troco da alma! Sim, eu sei, a história, mandada escrever pelo poder, perpetuará o seu nome. Mas para sua vergonha. E se Dilma não vê, tanto pior!

27 Outº 2014

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