EDITORIAL – O ESTADO PALESTINIANO E O MUNDO

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O reconhecimento pela Suécia do estado palestiniano trouxe novamente à luz do dia a questão palestiniana, mais uma vez mergulhada na penumbra informativa pelos acontecimentos dramáticos que se vão desenrolando naquela parte do mundo. Contudo, ela continua a existir, e é cada vez mais clara a responsabilidade dos Estados Unidos e dos seus aliados europeus no drama do povo palestiniano. O atraso no reconhecimento do estado palestiniano apenas interessa aos que desejam o reforço do sionismo, concretamente o avanço na ocupação do território da Palestina pelos colonatos israelitas, acarretando assim a expulsão das populações que ali viviam. Este processo, que dura há mais de sessenta anos (há quem o faça remontar ao período anterior à Segunda Guerra Mundial) tem causado grande emoção por todo o Próximo e Médio Oriente, e não só. O atropelo sistemático dos direitos do povo palestiniano, a pouca ou nenhuma seriedade havida nas chamadas conversações para o processo de paz, têm contribuído decisivamente para a enorme tensão em que se vive naquela parte do mundo. As populações sentem que são um joguete nos jogos das várias potências, e, sentindo o falhanço dos projectos políticos que lhes poderiam ser favoráveis, vendo que os seus líderes políticos, ou são corrompidos ou eliminados em curto prazo, voltam-se para a religião. É o que claramente tem acontecido.

A acção da Suécia é sem dúvida oportuna. No meio do caos existente, ainda mais agravado pela acção do auto-intitulado Estado Islâmico, é bom não perder de vista as raízes do problema. Mesmo quando já se vai tarde, como parece ter reconhecido a ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Margot Wallström (ver o primeiro link em baixo), respondendo a quem afirmava ser o reconhecimento prematuro. Com efeito, para um estado poder exercer a sua acção precisa de um território, e a acção expansionista promovida pelos líderes israelitas tende a privar os palestinianos de terem território próprio, num prazo não muito longo.  Nessa altura não será possível haver qualquer paz, por muito que se queira fazer crer o contrário.

 

http://www.publico.pt/mundo/noticia/suecia-tornase-no-primeiro-pais-da-ue-a-reconhecer-o-estado-da-palestina-1674590

 

http://www.theguardian.com/world/2014/oct/30/israel-closure-al-aqsa-mosque-temple-mount-mahmoud-abbas-war

 

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