CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – TODOS OS SANTOS? DE QUE PLANETA?- por Mário de Oliveira

quotidiano1Faça chuva, ou faça sol; o país e o planeta terra estejam cada vez mais a pique em direcção ao abismo; cresça diariamente o número de assassinatos, por dá cá aquela palha; diminua, de ano para ano, o nascimento de crianças; cresça assustadoramente o número de jovens emigrantes; o país seja cada vez mais um nacional lar de idosos entregues à sua solidão; e, consequentemente, até o desemprego diminua, não por haver um aumento de oportunidades de trabalho, mas por preocupante diminuição da população em idade activa, todas as igrejas cristãs prosseguem, de pedra e cal, com os seus calendários litúrgicos, seus ritos mais do que inúteis, prejudiciais. Só assim se compreende que, ao chegar o dia 1 de Novembro, a igreja de Roma e todas as suas sucursais nos países do Ocidente e noutras partes do mundo, corram a meter-se nos templos a celebrar a festa ritual de todos os santos. É caso para perguntar, em que planeta vivem as igrejas cristãs? De que falam, quando repetem, ano após ano, que este é o dia de todos os santos? Não se dão conta os seus líderes de que estão obscenamente fora da realidade e a arrastar com eles as populações que ainda os reconheçam e frequentem seus ritos? Festa de todos os santos, num país à deriva, numa Europa a desfazer-se, num planeta cada vez mais sem condições climáticas e ambientais amigas da vida, não só da vida humana, também da vida de todos os demais seres vivos? São igrejas amigas da vida, biófilas, ou igrejas necrófilas, amigas dos mortos e das missas pelas almas dos mortos, 10 €, cada alma, 1€ cada pai-nosso? Porque não lêem os jornais, e as redes sociais, em lugar da Bíblia, para cúmulo, sempre os mesmos textos, cada ano, no que respeita ao dia de todos os santos, de três em três anos, no que respeita aos domingos comuns? Mas não se pense que o problema reside nos líderes das igrejas cristãs. O problema reside no próprio cristianismo, que é estruturalmente mórbido, inimigo do Vento, da dissidência, da maiêutica, do corpo, dos afectos, do sexo, da liberdade. O seu planeta é o do poder, não o dos afectos. É o do mítico Cristo, não o de Jesus. É o além, não o aqui. É ele que faz más as pessoas. E às que mais lhe tenham sido úteis, fá-las santas!

1 Novembro 2014

 

 

 

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