Ocorreu dias 6 e 7 Novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, o Mind Rights Film Festival, cuja realização se inseriu num fórum internacional sobre os direitos das crianças com incapacidade mental e intelectual
Uma seleção internacional de 22 curtas-metragens sobre Saúde Mental foi exibida no dia 6 e o anúncio dos vencedores no dia 7.
Os filmes selecionados, alguns em estreia mundial, incluíram trabalhos documentais, ficcionais, experimentais e de animação. Destaque para a curta-metragem ‘Mamma ãr Gud’, que parte de uma conversa entre a realizadora sueca Maria Back e a sua mãe, que sofre de perturbações mentais julgando ser ‘Deus’. A mãe nunca aparece no filme, apenas a sua voz. Mas apesar da aparente ausência de progressão narrativa e do dispositivo minimal que o filme utiliza, é patente a força da relação entre as duas, e o amor incondicional que as liga.
Outro trabalho que se destaca é ‘Hands To The Sky, Catch Them & They’re Yours’, uma curta de ficção norte-americana que conta a história de um homem com autismo que luta para provar, a si mesmo e ao tribunal, a sua capacidade para se responsabilizar pelo seu irmão mais novo, após a morte súbita da mãe.
Destaque ainda para ‘Cuerdas’, um filme que recorre a técnicas de animação para contar uma história de amizade entre duas crianças muito especiais, distinguido este ano em Espanha com o Prémio Goya de Melhor Filme de Animação, e de que já aqui falámos.
O único filme português é ‘Mergulho’, do realizador português Pedro Sena Nunes, uma coprodução com a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa.
Com um Júri presidido por Manuel Costa Cabral e constituído por João Mário Grilo, Miguel Valverde, António Caldeira Pires e António Roma Torres, o festival atribuiria dois Prémios para Melhor Filme (1º e 2º lugar), para além do Prémio do Público. No entanto, o júri decidiu atribuir dois 1ºs prémio.
Este festival foi uma iniciativa da Plataforma Gulbenkian de Saúde Mental Global, uma parceria da Fundação Calouste Gulbenkian com a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e com a Organização Mundial de Saúde, que procura desenvolver modelos inovadores para a saúde mental no contexto da Agenda da Saúde Global.
Filme com o Prémio do Público:
SMILE (2014), de Luke Mordue – REINO UNIDO
Documentário sobre a percepção da doença mental na sociedade actual. O filme segue diversas entrevistas a pessoas que foram afectadas pela escuridão da depressão e ansiedade, nas suas mais variadas formas.
MAMMA ÄR GUD (2013), de Maria Bäck – DINAMARCA/SUÉCIA
Traduzindo o título temos “A mãe é Deus) é um filme muito pessoal, apresentando diferentes visões da realidade. Foi inicialmente feito em conversas no Skype, entre a realizadora e Deus (a sua mãe psicótica), cuja face não se vê nunca.
