Qual a nossa relação com a tecnologia? As máquinas nossas amigas tornaram-se nossas inimigas. Aqui sentadinha, nesta tarde em que relembro o que ouvi, reflicto e escrevo sobre isso, quantas informações já passei a quem está fazendo a vigilância de massas? Esta é a que é exercida a partir dos telefones, da nossa utilização da internet, dos cartões multibanco, da via verde, dos movimentos bancários. Ficamos com a nossa vida a nu, facilmente observada pelas grandes empresas. Esta vigilância passa não pelos órgãos do estado mas também pelas grandes organizações internacionais que acabam por ter poder sobre todos os estados. Como a poderemos combater? Contra ela é difícil termos poder como cidadãos.
Estes e outros assuntos foram debatidos no primeiro dia da conferência, intitulada “Ficção e realidade: Para além do Big Brother”, decorreu dia 14 no Centro Cultural de Belém, uma iniciativa do Lisbon & Estoril Film Festival.
Depois da projecção de uma entrevista com Noam Chomsky. ), Jérémie Zimmermann (fundador da Quadrature du net), Philippe Aigrain, e Céline Curiol moderados por Juan Branco, deram a sua opinião e responderam às perguntas do público.
Informação é poder? Hoje temos mais informação do que antes. E teremos mais poder? Ou será que ter informação não chega, será preciso também ter um verdadeiro conhecimento? E terão as pessoas um espírito crítico? Ou precisarão de o desenvolver?
Não somos exibicionistas nas redes sociais? Não expomos tudo? Os fotos de família, onde vamos, de que gostamos? A questão da vigilância de massas está relacionada com a violência económica e social. Sabe-se que quanto mais as pessoas têm estudos, mais sabem como se defender e controlar a sua imagem. São os frágeis, os de classes sociais mais baixas aqueles que estão mais expostos nas redes sociais.
A vigilância não é sentida pelas pessoas, não é física. E qual é o papel dos artistas e escritores?
Philippe Aigrain é pesquisador da área da informática, anteriormente relacionado com a Comissão Europeia, cujas ideias se tornaram emblemáticas na militância a favor dos bens comuns e contra os abusos da propriedade intelectual e da apropriação da informação só por alguns. Desenvolve-as no seu livro “A Causa comum: a informação entre o bem comum e a propriedade (sob licença)”, que se tornou uma referência na reflexão sobre esta temática. Céline Curiol é escritora francesa. Jérémie Zimmermann é um engenheiro de computadores francês, co-fundaro de “La Quadratue du Net”.
La Quadrature du Net é uma associação sem fins lucrativos, composta por cidadãos de vários países, que defende os direitos e liberdades dos cidadãos na Internet, e tem vindo a trabalhar na adaptação da legislação francesa e europeia aos princípios fundadores da Internet, sobretudo a livre circulação de conhecimento. Por isso, La Quadrature du Net tem-se envolvido nos grandes debates sobre a liberdade de expressão, direitos de autor, regulação das telecomunicações e privacidade online.
Para além deste trabalho, a associação também tem ajudado nos esforços para um melhor entendimento dos processos legislativos pelos cidadãos. Com a disseminação de informação específica e pertinente e de várias ferramentas, La Quadrature du Net almeja encorajar os cidadãos para a participação no debate público sobre direitos e liberdades na era digital (www.laquadrature.net)

