CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – O QUE FAZ CORRER ANABELA RODRIGUES? – por Mário de Oliveira

quotidiano1

Deve ser das poucas pessoas em Portugal que é suposto ter consciência crítica suficientemente desenvolvida, que ainda consegue ver no pequeno Maquiavel do PSD, PC, alguém com quem vale a pena trabalhar. O que leva uma mulher, como Anabela Rodrigues, 60 anos de idade, presidente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Professora e membro do Conselho Superior de Magistratura, a aceitar o cargo de ministra da administração interna de um Governo a desfazer-se aos pedaços e a governar à vista, rumo ao suicídio político? Que viu ela na dupla PP-PC e neste Governo de maioria CDS-PSD, saco de lacraus, que a levou a deixar tudo o que tem sido até agora a sua razão de viver, para aceitar ser ministra de um Governo a prazo? A resposta só a própria poderá dá-la. Provavelmente, nem a própria. Porque, nestas coisas do Poder, nunca os seres humanos, mulheres e homens indistintamente, que, um dia, aceitam tornar-se seus agentes activos, chegam a saber suficientemente porque o fazem. O Poder político é tão estruturalmente infecundo, mentira, assassínio, e, ao mesmo tempo, tão habilmente mascarado de serviço público, que só mulheres e homens dotados de mentes fecundamente cordiais, afectivas e harmoniosamente desenvolvidos de dentro para fora, a partir da sua própria matriz original, única e irrepetível, são capazes de o ver tal-qual é, e resistir-lhe. Anabela Rodrigues não foi capaz. Terá pesado na sua decisão a compaixão por um homem só e à deriva, a tentar manter-se à tona do mar encapelado em que se afunda e que, em desespero de causa, lhe pede socorro? Se assim for, confunde um ser humano com um agente do Poder político. Estende a mão ao agente nº1 do Poder político do Governo português, convencida de que está a estendê-la a um ser humano. Semelhante falta de discernimento político ser-lhe-á fatal. Porque, então, ao assinar hoje a tomada de posse como ministra, assina também a sua sentença de morte como Mulher. Cuidemo-nos! O Poder, estruturalmente infecundo, mentira e assassínio, tem, a partir de hoje, mais um rosto de Mulher!

19 Novº 2014

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