Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
As remunerações dos conselheiros ministeriais explodem!
I
Enquanto que o governo tem apenas a palavra “economias” na boca, as remunerações e os prémios atribuídos aos conselheiros ministeriais portam-se mesmo muito bem.
Les conseillers ministériels ne connaissent pas la crise… © PATRICK KOVARIK /
Michel Revol, Les rémunérations des conseillers ministériels explosent !
Le Point, 29 de Outubro de 2014
Evidentemente, isto dá mau aspecto. O governo aperta os parafusos, reduz as despesas, aumenta os impostos, corta nas ajudas sociais, e eis que René Dosière põe o seu nariz nos documentos orçamentais para se aperceber de que, ô estupor, a remuneração dos conselheiros ministeriais aumentou em média… 7,1% entre 2013 e 2014. Os prémios, chamados indemnizações por sujeições específicas, quanto a eles sofreram um empurrão mais modesto (4, 3% , mesmo assim). No total, contando a remuneração e os prémios, cada conselheiro (1) este ano ganha em média 6,5% mais que o ano passado. A inflação, falando de memória, passou de 0,6% em Setembro de 2013 à 0,3% hoje.
Entremos nos detalhes. Em 2014, enumera o deputado socialista, a remuneração média de um membro de gabinete ministerial situou-se em 8.201 euros brutos por mês (7655 euros em 2013). A indemnização – o prémio –é ela em média de 2.235 euros por mês (2 142 em 2013). “Estes aumentos são chocantes num período onde estas mesmas pessoas pedem aos Franceses esforços de rigor e de redução da despesa”, observa, bem frontalmente, o eleito por Aisne. Este sublinha em contrapartida que o aumento das remunerações é mais moderado em Matignon (Presidência do Conselho de Ministros) (+ 3,7%, 13.348 euros), porque os prémios foram aí reduzidos fortemente.
Mais curiosa ainda, muitos conselheiros ganham mais do que o seu próprio ministro… Em 19 dos 31 ministérios, a remuneração bruta média é com efeito superior à do ministro, que se estabelece de acordo com René Dosière em 9.940 euros. Por último, a remuneração mais elevada encontra-se no ministério da Cultura (um conselheiro ganha 13.744 euros por mês!), seguida do Interior (12 987 euros), da Descentralização (12 680 euros), da Renovação Produtiva (Redressement Productif) (12 369 euros) e, por último, no Ensino superior (12 222 euros). Na parte mais baixa da escala salarial, encontra-se o secretariado de Estado Antigos aos Combatentes (salário máximo de 7.555 euros). Em média, em contrapartida, é no ministério do Interior e no da Defesa que se ganha mais: 12.987 euros brutos por mês, com prémios juntos…
(1) – estes cálculos integram as remunerações dos funcionários procedentes de um outro ministério ou de uma outra função pública que aquela onde exercem em gabinete, bem como os contratados. Tudo isto representa 333 membros de gabinete, ou seja 74% dos agentes colocados.
(continua)
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