Chamou-se em vida Maria Eugénia Haas da Costa Ramos, e assinou-se como escritora Diana de Liz
(Évora, 1892 – Lisboa, 1930). Revelou-se escritora pouco convencional para o gosto e a moral da época, pelos temas que abordava e pela forma directa que empregava para os colocar à consciência dos leitores. Defensora da emancipação feminina, a sua problemática tem que ver com a condição subalterna que a sociedade portuguesa reservava para a mulher, nas primeiras décadas do século XX. Assinou-se com o pseudónimo de «Mimi Haas», nos jornais e revistas de então (Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, e revistas Magazine Bertrand, Vida Feminina, Civilização e ABC).
Esposa e companheira de ideais do autor do romance A Selva (um dos maiores best-seller mundiais da língua portuguesa), o escritor Ferreira de Castro. Tanto quanto
podemos perceber, Diana de Liz foi o grande amor da vida do escritor, que deixou sentidas palavras impressas a abrir o livro póstumo, Pedras Falsas (1931): «Diana de Liz […] morreu no mesmo ano em que Florbela morreu – uma e outra em plena juventude. E foi ainda na rua que tem o nome do irmão de Florbela, perecido também no fulgor da mocidade, que a morte veio apagar os olhos, tão luminosos, tão belos e tão sonhadores, de Diana de Liz.».
Além deste título acima citado, com as palavras de Ferreira de Castro, foi também editada (1932) a obra Memórias duma Mulher da Época.
Évora é uma cidade estranha… Se recorda os seus homens (mais ou menos) “notáveis”, pouco suas mulheres de génio, como Diana de Liz ou Estrela Faria… Se a cidade tivesse personalidade humana ou nada recorda hoje as, diríamos que era machista e/ou misógina…

espanta-me que, em várias biografias que consultei, de Ferreira de Castro,não tenha encontrado qualquer referência a Diana de Liz. Porque será?
No seu famoso romance “Emigrantes” Ferreira de Castro dedica o livro a Diana de Liz.
Ferreira de Castro, após o falecimento do seu grande amor, Maria Eugénia Costa Ramos, e também ele a braços com uma grave doença, foi para a ilha da Madeira convalescer e lá escreveu “Eternidade”, que também dedicou a Diana de Liz, pseudónimo de Maria Eugénia.