DIA DE ÉVORA – O que vem a seguir

Imagem1Como é nosso hábito, as sete da manhã são hora de música. A Lídia e o Luís Rocha trazem-nos hoje canções sobre Évora e o Alentejo – um boa maneira de começar este dia primeiro de Dezembro que, não esqueçamos, é o dia em que se celebra a independência nacional. Depois, Manuel Simões, professor universitário e poeta, oferece-nos poemas sobre Évora, extraídos de um livro seu. Encerrando este segundo bloco poético-musical, Álvaro José Ferreira fala-nos sobre a integração pela UNESCO do cante alentejano  no Património Imaterial da Humanidade. E voltaremos a falar. Deixamo-los escutando o Hino da Restauração.

O Hino da Restauração que acabamos de ouvir em versão instrumental, foi criado, em 1861, por Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida (1820-1869) para uma peça teatral – 1640 ou a Restauração de Portugal.dedicada ao rei D. Pedro V e estreada no dia de aniversário do rei-viúvo D. Fernando II. O Hino da Restauração era o tema que acompanhava a apoteose final de coroação de D. João IV. Criado em plena Monarquia, a letra deixava de poder ser cantada após a proclamação da República. Porém, a grande popularidade do Hino, permitiu-lhe sobreviver ao repúdio que maioritariamente os símbolos monárquicos provocavam e a letra terá sido adaptada, tanto mais que foi o regime republicano que determinou que o dia 1º de Dezembro fosse feriado nacional. O hino foi amplamente utilizado pelo regime ditatorial que de Maio de 1926 a Abril de 1974 ocupou o poder. Eis algumas das alterações feitas à letra. A letra original dizia:

Lusitanos é chegado o dia da redenção. /Caem do pulso as algemas. /Ressurge livre a Nação.

Sendo substituída por:

Portugueses celebremos o dia da redenção/em que valentes guerreiros/nos deram livre a Nação.

Onde se dizia:

O Deus de Affonso, em Ourique/Dos livres nos deu a lei:/Nossos braços a sustentem,/Pela pátria, pelo rei

Passou a dizer-se:

A Fé dos Campos d’Ourique/Coragem deu, e Valor,/Aos famosos de quarenta,/Que lutaram com ardor.

Foram também da letra original retiradas as referências à Casa de Bragança. Tudo isso é natural. Registe-se que o hino sobreviveu à febre antimonáqrquica e sobreviveu ao aproveitamento que o regime salazarista dele fez. Os portugueses, em geral, não conhecem a letra, mas sabem de cor a música. Veja-se com que entusiasmo o cantam em Elvas.

 

O actual governo com a aprovação do Parlamento e o silêncio do presidente da República, extinguiu um feriado que a I República criou, conservando feriados religiosos que só os crentes (talvez) saibam o que significam. Um feriado, que, simbologia monárquica aparte, possui um alto significado patriótico. Mas as datas significativas para os patriotas, nada significam para quem tem outras fidelidades a respeitar.

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