AS RAZÕES DA CRISE NA EUROPA. ANÁLISE DO CONTEXTO GLOBAL E DAS RESPOSTAS POSSÍVEIS À DRAMÁTICA SITUAÇÃO ACTUAL – 1. GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO EM ROMA CONTRA A DESREGULAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO – LIBÉRATION/AFP – 1.A – MANIFESTAÇÃO MASSIVA EM À ROMA CONTRA A REFORMA DO MERCADO DE TRABALHO

Falareconomia1

Selecção, tradução e nota introdutória de Júlio Marques Mota

mapa itália

Nota introdutória

Uma série de textos sobre um dos países da Europa mais em risco de implosão. Sabemos que temporariamente, e esperemos que seja por pouco tempo, que a Democracia já implodiu em Itália e o que de tudo isto resta é um país governado por um perigoso populista, Matteo Renzi, apoiado por gente de casta nada menos perigosa, como Berlusconi, como as gentes de Forza Itália, como um Georgio Napolitano, Presidente da República que,  em boa forma,  daria boas lições aos grandes chefes da Mafia italiana, e rodeado ainda de outros mais, de entre os quais, alguns são por aqui citados em notas de rodapé.

Júlio Marques Mota

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Grandiosa manifestação em Roma contra a desregulação do mercado de trabalho

1.a- Manifestação massiva em à Roma contra a reforma do mercado de trabalho

 

AFP, Manifestation massive à Rome contre la réforme du marché du travail – Libération

Renzi - XVI
Militantes do sindicato CGIL protestam contra a reforma do mercado trabalho do Primeiro- ministro italiano Matteo Renzi, o o 25 de Outubro de 2014. (Foto FILIPPO MONTEFORTE. AFP)

Centenas e centenas de e milhares de pessoas desfilaram contra o projecto do governo italiano, que quer facilitar os despedimentos e reduzir os direitos dos trabalhadores em início de contrato.

De acordo com os organizadores, a manifestação, na sequência da convocatória de CGIL, o principal sindicato do país, terá mobilizado um milhão de pessoas. As forças da ordem, pelo seu lado, não forneceram nenhuma estimativa.

Para incentivar a existência de novas contratações a fim de lutar contra o desemprego, o governo Renzi prevê facilitar os despedimentos e reduzir os direitos e as protecções dos assalariados nos seus primeiros anos de contrato. O projecto de lei desta reforma central para o governo, chamado “Jobs Act”, foi aprovada a 9 de Outubro pelo Senado – o governo tinha para o efeito levantado a questão de uma moção de confiança – e deve ainda receber a luz verde da Câmara dos deputados.

BANDEIRAS VERMELHAS

“Queremos trabalho para todos, e trabalho com direitos. Manifestamo-nos por aqueles que não têm trabalho, não têm direitos, por aqueles que sofrem, por aqueles que não têm nenhuma certeza quanto ao futuro “, declarou à multidão Susanna Camusso, secretária geral de CGIL. “Estamos aqui e não vamos daqui sair. Vamos fazer greve, e vamos mobilizar as nossas forças para nos batermos a fim de mudar as políticas do governo “, – acrescentou anunciando uma nova manifestação para 8 de Novembro.

À frente dos cortejos que atravessaram a capital italiana durante a manhã, milhares de jovens vindos de todo o país brandiram as bandeiras vermelhas de CGIL, cantando o hino nacional. O desemprego dos jovens é actualmente de 44% na Itália, e a maior parte dos primeiros empregos permanece precária. “Estamos aqui para dizer que a insegurança de emprego não é o nosso destino. Queremos investimentos portadores de futuro“, gritou ela à multidão através de um megafone. “Não temos a intenção de abandonar. Renzi deve saber que para mudar o país, terá necessidade de nós, os que estão aqui hoje, nas ruas de Roma “, insistiu Maurizio Landini, responsável do sindicato FIOM, que tinha respondido ao apelo de CGIL.

”Contestatários da orientação seguida” no cortejo

E, mesmo se não é raro ver os Italianos descer sobre as ruas para fazer ouvir o seu descontentamento, é a primeira vez que uma tão enormíssima manifestação é realizada contra o Partido Democrata (centro-esquerda) de Renzi, historicamente ligado aos sindicatos. O próprio partido está dividido sobre as medidas propostas, em particular sobre  uma eventual reformulação do artigo 18 do Código do Trabalho – um símbolo social extremamente forte em Itália – que protege os trabalhadores dos despedimentos abusivos.

Mesmo se o essencial não está no texto da lei mas nos decretos de aplicação que se lhe seguirão, muitas vozes nos sindicatos e na esquerda acusam Matteo Renzi de procurar liquidar os direitos dos assalariados. E enquanto que o chefe do governo estava no sábado em Florença para “a Leopolda”, uma reunião anual que ele criou em 2009 para convidar responsáveis e público com o intuito para se de se dialogar quanto ao  futuro ao futuro do país, vários “contestários da linha actual de Renzi e do PD ” optaram por se manifestarem em Roma.

“Tenho um grande respeito por esta manifestação”, tinha anteriormente declarado Matteo Renzi antes da sua realização “mas a época em que uma manifestação podia bloquear o governo e o país acabou”. Matteo Renzi conta com efeito sobre a credibilidade do seu programa de reforma para o tentar fazer passar junto de Bruxelas, um projecto de orçamento mais expansivo do que o previsto, enquanto o país espera que se irá confirmar-se mais um ano de recessão em 2014 e que o rácio dívida pública em relação ao PIB venha a ultrapassar 133% em 2015.

(continua)

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Ver:

http://www.liberation.fr/monde/2014/10/25/manifestation-massive-a-rome-contre-la-reforme-du-marche-du-travail_1129455

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