Durante três dias, o papa Francisco trocou o Vaticano pela Turquia, um país de muçulmanos, muito poucos católicos romanos e cristãos ortodoxos, obedientes, estes últimos, a um papa menor, Bartolomeu I. O que o moveu? A anunciada procura da unidade entre as duas igrejas, separadas desde 1054? Somos ingénuos, se nos fiamos nas informações ofiiciais da Cúria romana que nunca dá ponto sem nó. Uma coisa, a Cúria sabe: Sempre que o seu chefe máximo troca o Vaticano por um outro estado fora de Itália, arrasta com ele uma avalanche de jornalistas que lhe garantem as manchetes dos grandes media. E ela pode movimentar os seus negócios mais à vontade. Desde que Mário Bergóglio trocou Buenos Aires, Argentina, onde, à data, era já um apagado arcebispo emérito, por Roma, nunca mais a Cúria romana foi notícia pelas piores razões, como aconteceu com os dois papas anteriores, Bento XVI e João Paulo II, já santo de altar, antes que todos os seus múltiplos pecados e crimes graves fossem devidamente investigados e divulgados. De um papa santo de altar, quem se atreve, sem correr o risco de cair logo em descrédito, a apontar-lhe os graves pecados e crimes que cometeu? Não são, os santos exemplos de grandes virtudes? Não integram a corte celestial, feita à imagem e semelhança da Cúria romana, aos quais os fiéis das paróquias católicas podem e devem recorrer para obterem, por intermédio deles, os favores de Deus, o da Cúria romana? Por sua vez, o papa Bento XVI, emérito e refugiado no Vaticano, não foi a desgraça que se sabe na sua relação com os muçulmanos e as igrejas protestantes, tidas por ele como meras associações religiosas? Cabe ao sucessor deles tentar juntar os cacos e unir os chefes das três religiões do Livro. Unidas, elas poderão aguentar-se na crista da onda, por mais umas gerações. A menos que os povos das nações, conscientes de que a única unidade querida por Deus, o de Jesus e da Humanidade, é a dos povos, não a dos estados e das religiões, resistam a estas encenações papais. Alerta, povos!
1 Dezº 2014

