DIA MUNDIAL CONTRA A SIDA – AVANÇOS E RECUOS por clara castilho

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Os dias mundiais servem para nos alertar para um determinado problema? E só nesse dia é que interessa? Uma questão válida, mas, entre o vai e vem, falemos do dia de ontem Dia Mundial de Luta contra a Sida, doença que, desde 1985, afetou mais de 47 mil pessoas em Portugal.Dia Mundial da Luta contra a SIDA - Laço Humano

O número de jovens mulheres que em cada minuto contraem o Vírus é muito elevado. As jovens constituem 22% do total de infecções por HIV.

Por outro lado, as campanhas sempre servem de alguma coisa. A UNICEF divulgou que “Um número estimado em 1.1 milhões de infecções por VIH entre crianças menores de 15 anos foi evitado, dada a diminuição de casos novos em mais de 50 por cento, entre 2005 e 2013”.

Este extraordinário progresso é resultado do aumento do acesso de milhões de mulheres grávidas que vivem com o VIH a serviços de Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho (prevention of mother to child transmission – PMTCT). Estes incluem o tratamento do VIH durante toda a vida, que reduz significativamente a transmissão do vírus aos bebés e mantém as suas mães vivas e em boas condições.

Os declínios mais acentuados ocorreram entre 2009 e 2013 em oito países africanos: Malawi (67%); Etiópia (57%); Zimbabwe (57%); Botswana (57%); Namíbia (57%); Moçambique (57%); África do Sul (52%) e Gana (50%).

Mas o objectivo global de reduzir as novas infecções por VIH em 90 por cento entre 2009 e 2015 continua fora do alcance. Apenas 67 por cento das mulheres grávidas que vivem com VIH em todos os países de baixo e médio rendimento receberam os medicamentos anti-retrovirais mais eficazes de Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho em 2013.

As disparidades no acesso a tratamento são um entrave ao progresso.Ente as pessoas que vivem com VIH em países de baixo e médio rendimento, os adultos têm muito maior probabilidade de aceder a terapia anti-retroviral (TAR) do que as crianças. Em 2013, 37 por cento dos adultos maiores de 15 anos receberam tratamento, percentagem que nas crianças (entre os 0 e os 14 anos), foi de apenas 23 por cento, ou seja, menos de 1 em cada 4.

As tendências de mortalidade devida à SIDA nos adolescentes também são motivo de preocupação. Enquanto em todos os outros grupos etários se verificou um declínio de quase 40 por cento das mortes relacionadas com a SIDA entre 2005 e 2013, os adolescentes (10-19 anos) são o único grupo no qual as mortes relacionadas com a SIDA não estão a baixar.

A ‘Actualização Estatística sobre Crianças, Adolescentes e a SIDA’ da UNICEF (Statistical Update on Children, Adolescents and AIDS) é a mais recente análise de dados globais sobre crianças e adolescentes desde o nascimento até aos 19 anos de idade.

Mais informação:  http://childrenandaids.org

Exemplo do atrás referido é o que está a acontecer em Mkhondo, na África do Sul,onde estar grávida é um grande risco em algumas comunidades. Aí, mulheres grávidas estão a morrer sem necessidade, porque não acedem a cuidados pré-natais atempadamente. O medo que lhes seja diagnosticado faz com que não procurem cuidados pré-natais. Na realidade, a grande maioria não teme morrer. Teme a discriminação sofrida por quem contrai o vírus.

 

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