Uma das ideias que se procurou fazer passar insistentemente junto dos cidadãos foi a de que os sacrifícios impostos nos últimos anos, a pretexto da crise económica e financeira, estavam a ser suportados por todos. É verdade que logo de início houve quem acolhesse com cepticismo a ideia, mas a propaganda oficial procurou abafar essas vozes contrárias, inclusive impondo medidas muito pesadas e muito propagandeadas junto de sectores supostamente tidos como beneficiados, como foi o caso dos beneficiários do rendimento social de inserção, e as restrições nos apoios aos desempregados, neste último caso concomitantemente com a imposição do sistema dos contratos de emprego-inserção.
Entretanto soube-se que aumentou o número de milionários em Portugal e não só, e que as fortunas que têm à sua disposição cresceram consideravelmente, enquanto a maioria da população vê o seu nível de vida a diminuir, e a situação do país a agravar-se, ao contrário do que a propaganda oficial tem pretendido fazer acreditar. Torna-se cada vez mais claro que as medidas de austeridade serviram sobretudo para desarticular aquilo a que se tem chamado o estado social. Reduzindo a intervenção dos serviços públicos nos diferentes campos da vida social, visaram facilitar a expansão dos grandes grupos económicos, que detêm grande influência junto do poder político institucionalizado, e priorizam os grandes investimentos e a especulação financeira. Mesmo as chamadas pequenas e médias empresas foram gravemente afectadas por elas, devido à quebra no consumo.
Para além do cidadão comum, que vê o seu nível de vida em quebra constante, estão fortemente ameaçados, ou mesmo condenados, ideais como o sonho europeu. A União Europeia é cada vez mais uma miragem, com o peso excessivo da Alemanha, a posição dúplice do Reino Unido e o espírito acomodatício dos restantes países. A Europa ainda será um ideal a atingir para os imigrantes de outros continentes, acossados pelas guerras, pelos desastres climáticos, e pela incompetência e corrupção dos governos. Mas a austeridade, melhor dito, aquilo que se tem imposto a pretexto da autoridade, encaminha a Europa para o seu fim.


Desde seu inicio a união europeia foi sempre uma burla arquitectada pelos Estados europeus que sempre foram tradicionais inimigos mas cujo sonho de cada qual, que já vem de muito longe, foi, sempre, o de conseguir dominar toda a Europa, a ocidental, essa pelo menos. Na impossibilidade de, na época da fundação da tal união, nenhum deles ter poder político, económico e militar para afirmar-se com força suficiente para exercer o domínio total tiveram de fingiram-se aliados e paulatinamente foram ganhando os trunfos mais necessários. Cada qual ficou à espera de poder ascender à chefia e, como era de esperar, mais uma vez tudo correu em favor dos germânicos. A velha Roma quis o mesmo; o Vaticano, idem; a França napoleónica, aspas e, por fim os germânicos que, agora, por métodos diferentes – os bismarkianos – e, não esquecer, a cobertura ianque já estão a construir o IV Reich. Nós portugueses já cá temos o imprescindível “gauleitar” , made in psd. CLV