BISCATES – Internacional Progressista – por Carlos de Matos Gomes

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E porque não a convocação de uma Internacional Progressista Europeia que reúna forças para enfrentar as ameaças que a Europa enfrenta no início do século XXI?

A Internacional Socialista o que é dela? Desapareceu! No momento porventura mais crítico da sobrevivência de um modelo político e social de defesa dos direitos do trabalho face ao capital financeiro, a Internacional Socialista desapareceu. Desapareceu quando mais necessária era, no momento em que está em risco o Estado Social, que foi a imagem e o farol de uma nova sociedade na Europa, no momento em que a utopia do comunismo, ou do socialismo real, se desfez, no momento em que ressurgem as forças do velho capitalismo fascista, na dupla face dos florescentes nacionalismos e do neoliberalismo como ideologia dominante no continente europeu.

A Internacional Socialista desapareceu quando se levantam de novo na Europa sombras de intolerância, de racismo, ideias de superioridade de nórdicos e de germânicos contra latinos e eslavos, dos do centro contra os da periferia. Quando as políticas neoliberais e os interesses da Alemanha determinam o destino dos europeus. Quando a vida é um mercado e os homens mercadorias e mercadores. Quando o individualismo é uma religião e a lei é a da selva.

A Internacional Socialista tem uma história com derrotas e vitórias, agora desapareceu. A Segunda Internacional dividiu-se com a eclosão da I Guerra Mundial. Ressurgiu em 1923 como Internacional Trabalhista e Socialista, e foi novamente reconstituída após a Segunda Guerra Mundial, em parte como instrumento de luta ideológica contra os partidos comunistas. Durante o período da Guerra Fria a Internacional Socialista assumiu-se como a imagem simpática de um capitalismo com preocupações sociais. Parece que se esgotou nesse papel anti-comunista e de assistente social na estratégia dos Estados Unidos no confronto com a URSS. Um papel que serviu para ajudar o PS e PSOE a estabelecerem-se em Portugal e Espanha, por exemplo, que hoje andam às apalpadelas como os seus trabalhistas e sociais democratas.

Era importante que um sucedâneo da Internacional Socialista surgisse na arena onde se estão hoje a travar os grandes combates da Europa pela manutenção da paz e pela justiça social. Tornar essa alternativa possível, dinamizando-a interna e externamente, julgo que seria um bom contributo que as forças progressistas não integradas no Partido Socialista poderiam dar para abrir novos caminhos à Europa. Também era importante, do meu ponto de vista, que a direcção do Partido Socialista saída do último Congresso se manifestasse aberta a colaborar na busca de novas soluções e a congregar de esforços para reunir uma genuína Internacional Progressista Europeia do século XXI.

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