EDITORIAL  – OBAMA CONTRA O RACISMO

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Barack Obama desiludiu muita gente que o apoiou quando foi eleito presidente dos Estados Unidos. Falhou em cumprir todas as suas principais promessas. Não acabou com o envolvimento do seu país no Iraque, pois se, em dada altura, conseguiu retirar a maior das tropas norte-americanas ali estacionadas, pouco tempo depois teve que voltar a enviar efectivos para o terreno, sob o pretexto de apoio à luta contra o Estado Islâmico, cuja aparição repentina na cena mundial está por explicar com um mínimo de verosimilhança. No Afeganistão o cenário parece ser muito semelhante. Nas relações com a Europa, o grande triunfo que tem procurado, a celebração do TTIP/TAFTA, o tratado transatlântico de livre comércio, está a levantar reticências deste lado do oceano, e parece que até da parte de alguns governos, habitualmente tão submissos ao poderio estado-unidense. No sector interno, a reforma no campo da saúde, muito aclamada pelos seus partidários, parece esboroar-se sob a pressão dos lobbies financeiros e dos seus adversários políticos. As desigualdades sociais têm-se agravado, apresentam-se estatísticas sobre o emprego que são contestadas por especialistas, a precariedade laboral e os baixos salários são cada vez mais dominantes (recorde-se o que se passa na Walmart ou na Macdonald’s). Tudo indica que as presidências de Obama não vão ficar para a história sob uma luz favorável.

Nós fomos dos que nunca tiveram esperanças que Obama conseguisse introduzir alterações significativas nas correntes políticas norte-americanas. Um aspecto que particularmente nos desapontou foi o falhanço no cumprimento da promessa de acabar com o campo de concentração de Guantánamo. A bandeira dos direitos humanos serviu durante muito tempo aos Estados Unidos de pretexto para as suas acções imperialistas. Aquele campo de concentração é a prova evidente de que a superpotência que a todos nos domina não tem mais respeito pelos direitos humanos do que qualquer ditador dos que andam pelo mundo fora. E que Obama, se quis realmente mudar a situação, não foi capaz.

Por isto tudo, estamos à vontade para elogiar um acto que nos parece corajoso e digno. Oxalá que, a curto, médio ou longo prazo, não tenhamos que voltar aqui a declarar o nosso arrependimento. Mas reconhecer que o racismo está profundamente enraizado na sociedade norte-americano é uma declaração corajosa, apesar de Obama ser o presidente da república. Talvez seja mais correcto dizer, sobretudo por ele ser o presidente da república.

http://www.theguardian.com/us-news/video/2014/dec/08/barack-obama-racism-us-video

 

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