O nosso primeiro ministro (ele governa-nos a todos, mesmo que não tenhamos votado nele) disse em Braga, há dias, segundo lemos no Jornal de Notícias, o seguinte: “Ao contrário daquilo que é o jargão popular de que, quem se lixa é o mexilhão, na verdade, na crise que atravessamos, todos contribuíram”. Foi num seminário sobre economia social, organizado pela União de Misericórdias, perante uma audiência que, com certeza, conhece de perto os problemas do “mexilhão”, e também perante a opinião pública em geral, por meio das televisões. Ora vejam neste link:
Ufanou-se mais uma vez de todos terem contribuído para a resposta à crise, desta vez, e foi dando a entender que noutras vezes (noutras crises…) não terá corrido assim. Claro que estamos perante mais uma caso de propaganda eleitoral, feita pelo primeiro ministro, no exercício das suas funções. Parece ser claro que Passos Coelho estava no seminário em questão no exercício das suas funções.
Temos aqui, portanto, não um, mas dois problemas. Um, disse uma coisa que não é manifestamente verdade. A crise não foi suportada por todos de igual modo. Houve mesmo quem conseguisse melhorar a sua vida durante a presente crise, como já referimos em editoriais anteriores. Recorde-se como aumentou o número de milionários no nosso país, e como parte destes viram aumentar significativamente os valores à sua disposição. As muitas especulações à volta do caso Espírito Santo não chegam para ocultar este facto. Por outro lado, a maior parte da população, sobretudo os que vivem do seu trabalho e os reformados/aposentados, viram os seus rendimentos descer. O segundo problema é que Passos Coelho usou a situação para fazer campanha eleitoral. São dois problemas, e não um só.