NESTE DIA…Em 1924 nasceu Alexandre O’Neill

 

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Imagem1Neste dia 19 de Dezembro, mas de 1924, foi a vez de Alexandre O’Neill chegar ao mundo – em Lisboa, morreu na mesma cidade no dia 21 de Agosto de 1986. O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. A sua ligação a esse movimento literário ficou assinalada pela publicação do volume de colagens A Ampola Miraculosa (1948). Outras colectâneas: 1951 – Tempo de Fantasmas, 1958 – No Reino da Dinamarca, 1965 – Feira Cabisbaixa,1969 – De Ombro na Ombreira, 1972 – Entre a Cortina e a Vidraça, 1983 – Dezanove Poemas (Em Poesias Completas (1951-1983). O saudoso amigo  e argonauta Fernando Correia da Silva, publicou no seu site VIDAS LUSÓFONAS uma inspirada biografia de Alexandre O’Neill. Eis um excerto desse trabalho.

Ainda em 53 decido casar e tu, é claro, és um dos convidados para a festa. Bem sabes que eu e a minha mulher acabámos de dar um giro pela Europa. Puxas-me de lado. Perguntas, surdina:- Os vossos passaportes ainda estão válidos?- Sim.- Então pirem-se enquanto é tempo, que as coisas vão apertar por aqui.Realmente pensamos pirar-nos para o Brasil, mas sei que a raiz da tua ansiedade é outra. Em 1949 Nora Mitrani, surrealista francesa, passa por Lisboa. Vocês conhecem-se, convivem, apaixonam-se, l’amour fou às vezes deflagra fora dos livros… Depois de regressar a Paris, Nora convida-te a ir ter com ela:- Vens, ficas por cá, logo se vê…Solicitas passaporte ao Governo Civil de Lisboa. Mas alguém da tua família antecipa-se, não quer que vás atrás da francesa e mete cunha, na PIDE, para que te seja negado passaporte. E o passaporte é-te negado. Que raio de país é este em que a polícia política até se dá ao luxo de contrariar amores? Eis Um Adeus Português, o teu amor frustrado, a tua raiva:Não tu não podias ficar presa comigo à roda em que apodreço apodrecemos a esta pata ensanguentada que vacila quase medita e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor (…) tu és da cidade onde vives por um fio de puro acaso onde morres ou vives não de asfixia mas às mãos de uma aventura de um comércio puro sem a moeda falsa do bem e do mal Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti – Alexandre, bem entendo a tua preocupação com os nossos passaportes, gato escaldado de água fria tem medo, mas sossega, tem calma!Não tiveste, intuíste que não devias tê-la: eu e a minha mulher ainda a gozarmos a lua de mel e tu a seres preso pela PIDE. Quando partimos para o Brasil continuavas na choça. Durante quarenta dias ficarás à sombra, a contemplar aquela pata ensanguentada que vacila.

Para ler a biografia completa, basta clicar:
http://www.vidaslusofonas.pt/alexandre_o_neill.htm

 

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