Ao meter ao fundo da gaveta o escandaloso caso dos submarinos, o Ministério Público meteu ao fundo o próprio PauloPortas, ex-ministro da Defesa e actual vice primeiro-ministro do governo de maioria PP-PSD, o mais cristão de todos os governos formados depois do 25 de Abril 74, por isso, também o mais politicamente mentiroso, hipócrita, ladrão, assassino das populações. E com PauloPortas, meteu ao fundo o CSD-PP, de que é presidente, e o próprio governo presidido por PassosCoelho, líder do PPD-PSD. E, se o presidente Aníbal pensa que, depois de toda esta bandalheira política em que a maioria PP-PSD mergulhou o país, fica tudo sanado com a sua homilia de natal a duas vozes – a dele e a da sua impagável Maria – gravada no conforto do seu palácio de Belém, quão enganado vive! Para cúmulo, está aí sem controlo o incêndio da TAP que o governo quer privatizar, com ou sem greve geral, com ou sem requisição civil, que, juntamente, com o escandaloso arquivamento do caso dos submarinos, mais o silenciado caso dos vistos Gold concedidos a estrangeiros, a troco de corrupção ao mais alto nível, a que se veio logo juntar a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, José Sócrates e seus compinchas. Bem pode o governo, à boa maneira cristã, continuar a dizer que tudo vai bem; a dívida externa do país é sustentável e pagável; o orçamento 2015 é para valer; a troika já se foi e levou com ela a “crise”, mai-los sacrifícios que, à sombra dela, ele sadicamente impôs às populações; o novo ano, já à porta, será de abundância, de pleno emprego, de saúde pública, de escolas com ensino de qualidade. Poder pode e é mais que certo que será esse, o discurso político, em ano de eleições legislativas. Só que a realidade está aí, nua e crua, e já não há máscara que a impeça de se mostrar. Cabe a nós, populações, sairmos da letargia, do sono, em que as televisões criminosamente nos têm mantido, darmos um murro na mesa, e desobedecermos políticamente a esta tropa fandanga, mascarada de governo e de presidência da República.
20 Dezº 2014

