ESCRITOS NA AREIA – O GESTOR E O MOTORISTA II – por António Mão de Ferro

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Se ainda se recorda o artigo anterior era sobre um gestor e um motorista.: O gestor mandou o motorista arrancar com o carro rapidamente e este nem perguntou para onde é que ele queria ir! A partir daí desenrolou-se aquilo que então se descreveu  e a que se vai dar  continuidade.

Diz o gestor para o motorista: – Eu sou uma pessoa com uma visão alargada da gestão e por isso quero que tenha presente que o tempo que o Sr. me fez perder, não é brincadeira. O meu tempo é precioso! Enquanto o Sr. me transportava sem saber para onde, deixei de acompanhar outros colaboradores, de definir estratégias, de planear atividades, de fazer negócios.

Logo que teve oportunidade de falar, o motorista disse: –  Eu peço desculpa, mas se o Sr. Dr. me disser onde quer que eu o leve, escusamos de estar aqui a perder tempo.

O gestor muito aborrecido, respondeu: Calma, calma, calma. Não conhece o ditado, “não vá o sapateiro além da chinela”? É claro que a riqueza desta frase, nem todos a compreendem. Faz um silêncio e diz: O silêncio é de uma importância fundamental na vida, mas infelizmente, nem todos o sabem fazer. O Sr. perdeu uma grande oportunidade de mostrar que tem essa capacidade.

E continuou. – Eu falo-lhe assim, porque sou um diplomata, culto, sobredotado, e porque não dizê-lo, com uma visão alargada, abrangente, uma espécie de iluminado que domina os acontecimentos, que atua no momento em que as coisas acontecem.

– Mas, vamos diretamente ao assunto que eu não sou homem de rodeios, o que eu estou aqui a fazer é a formá-lo. Sim estou aqui a cumprir as minhas funções, porque lá diz o provérbio: “Não se perde tempo quando se aperfeiçoam as ferramentas.

– Não sou como aquele lenhador que suava a valer a cortar em achas um tronco de árvore. Alguém se aproximou dele para saber porque se esforçava tanto e lhe disse, desculpe, mas reparei que o machado tem o fio completamente gasto. Porque não o vai afiar? E o lenhador com a voz embargada, respondeu que não tinha tempo. O tronco é muito duro, acrescentou.

E o gestor prosseguiu. – Como vê sou uma pessoa simples e estou aqui a formá-lo e a falar consigo, quase tu cá tu lá, com as devidas distâncias, claro, porque isto não é nenhuma anarquia e é preciso que fique claro que eu mando e o Sr. motorista obedece.

O motorista só pensava em por o dedo na testa para dizer ao gestor que estava maluco, mas conteve-se.

CONTINUA

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