Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
O efeito trickle-down
Tejvan Pettinger, Trickle down economics
Economics.help, 9 de Dezembro de 2014
(on December 9, 2014 in concepts, economics)
A ideia de Trickle down economics (a significar que as vantagens concedidas aos mais ricos beneficiam os mais pobres) é um termo usado para descrever a crença de que um aumento nos salários dos que ganham mais traduz-se, a seguir, em benefícios para todos na economia, uma vez que o aumento dos seus altos rendimentos e da sua muita riqueza se difunde por toda a sociedade levando a que toda a gente na sociedade beneficie com o aumento de bem-estar e de riqueza dos mais ricos. A este transbordar dos benefícios oferecidos aos mais ricos a favor dos mais pobres chama-se trickle-down economics.
Contudo outros criticam esta opinião de que se os titulares de rendimentos mais elevados obtêm um aumento de rendimento então todos os cidadãos beneficiam em consequência desse mesmo aumento. Alguns estudos sugerem que a crescente desigualdade de rendimento pode conduzir a que esta desigualdade se solidifique através das oportunidades de educação, da acumulação de riqueza e do crescimento do poder de monopólio/monopsónio. Além disso, a desigualdade crescente pode conduzir à redução das taxas de crescimento económico.
Um relatório recente publicado pela OCDE considera que desde o início da crise do crédito em 2008, a desigualdade na repartição se tem alargado em muitos países; contudo esta desigualdade conduziu a baixar as taxas de crescimento económico, que já de si não eram altas.
Este gráfico, reproduzido de um relatório da OCDE, sugere que a desigualdade é responsável para um PIB mais baixo. A OCDE estima que a economia britânica teria um PIB acrescido em 20% caso a diferença entre os mais ricos e os mais pobres não se tivesse alargado desde os anos 80.
Fonte: OECD Focus – Inequality and Growth 2014
O efeito do aumento da desigualdade (Trickle down effect) e a redução dos impostos:
Um elemento importante da lógica do trickle down tem a ver com as reduções nos impostos sobre o rendimento para os mais ricos. Argumenta-se que cortar nos impostos sobre o rendimento nos ricos não beneficiará apenas aqueles que já tem mais altos rendimentos mas igualmente todos os outros, por efeito de difusão ou arrasto. O argumente é explicado da forma seguinte:
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Se os detentores de salários altos obtêm um aumento no seu rendimento líquido, aumentarão a sua despesa e esta cria a procura adicional na economia. Este mais elevado nível de procura agregada leva a que se criem postos de trabalho e por consequência salários mais altos para todos os trabalhadores.
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Alternativamente, o aumento dos lucros nas empresas podem ser reinvestidos expandindo-se assim a produção. Este mecanismo conduz, como segundo efeito positivo, a um crescimento mais elevado, a mais salários para os trabalhadores e a mais lucros para as empresas.
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As taxas sobre os rendimentos mais baixas acrescem o incentivo das pessoas a trabalharem conduzindo-se assim a um aumento da produtividade e a uma mais elevada taxa de crescimento, de novo. Criticisms of the trickle down effect.
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Elevados rendimentos têm uma elevada propensão marginal a poupar. Portanto, o acréscimo no rendimento disponível devido a cortes nos impostos não se difunde noutras partes da economia porque é poupado, não é gasto.
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Em vez disso, os rendimentos mais elevados podem ser utilizados para acumular riqueza; esta acumulação de riqueza leva a maiores ganhos de capital e rendimentos de activos – levando a níveis ainda mais elevados de desigualdade de rendimento e de
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O valor mais elevado do PIB não resolve a desigualdade fundamental da sociedade capitalista. Mesmo que os cortes de impostos levem a crescimento económico mais elevado e que um nível de produção mais elevado elevada conduza necessariamente a maior rendimento real para todos. Os trabalhadores de baixos rendimentos podem ser deixados para trás em certos tipos de crescimento económico. A recuperação económica da Inglaterra de 2011-14 tem sido notável em termos de crescimento baseado nos baixos salários.
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Défice orçamental. O corte de impostos nos Estados Unidos, levou a um aumento do défice orçamental de (de 2,7% do PIB em 1980 para 6% do PIB em 1983) Embora, isto tenha fornecido um impulso orçamental temporário, um défice orçamental cria problemas para a economia futura (possibilidade de altas taxas de juros, impostos mais elevados no futuro).
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Objectivo Se queremos reduzir a pobreza relativa, faz sentido levar a cabo cortes de impostos sobre o rendimento e conceder benefícios para aqueles que desse rendimento adicional têm necessidade. Os corte de impostos para os mais, na esperança de que alguns desses rendimentos tenham o efeito de transbordar e virem por isso mesmo a beneficiar os mais pobres é uma forma muito ineficiente de trabalhar para dinamizar a economia e reduzir a pobreza absoluta e relativa.
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Os cortes de impostos não aumentam necessariamente os incentivos para o trabalho (funcionam ambos os efeitos, o efeito de substituição e o de rendimento e uma vez que actuam em sentido contrário podem anular-se.
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Esperava-se que os cortes nos impostos sobre o rendimento iriam incentivar as pessoas a trabalhar mais tempo e mais horas extra. Mas na prática, tal não aconteceu.
Ronald Reagan e o efeito de trickle-down
Ronald Reagan esteve profundamente associado com o efeito trickle-down na década de 1980. É por isto que durante o seu mandato presidencial, ele cortou nos impostos sobre rendimentos das pessoas com rendimentos elevados. Reagan não defendeu esta política na base de que haveria “ um trickle para baixo efeito”. No entanto, os seus adversários frequentemente afirmam que este miserável efeito ‘trickle down’ resume a política económica de Reagan e o seu desdém pela redução da pobreza.
G.W. Bush e o efeito trickle-down
A política económica de Bush está estreitamente espelhada na de Ronald Reagan. Confrontado com uma crise económica, em 2001, ele cortou impostos sobre o rendimento; a maioria dos quais foram aplicadas aos escalões de rendimentos mais elevados.
A desigualdade nos Estados Unidos
Os 1% mais ricos aumentaram relativamente o seu rendimento, os 80% de rendimentos menos elevados viram o seu rendimento relativamente cair.
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