O projecto internacional “Migrantour – Rotas Urbanas Interculturais” está a desafiar os cidadãos imigrantes da Mouraria, em Lisboa, a mostrar o bairro que escolheram para viver, através de visitas guiadas disponíveis a partir de 18 de Dezembro.
O projecto visa trabalhar a interculturalidade e aliar a promoção do território à integração dos imigrantes.
Através da Associação Renovar a Mouraria e do Instituto Marquês de Valle Flôr, a iniciativa dá formação a guias locais, imigrantes e criadores dos percursos, funcionando como um serviço, que será vendido no futuro e em que “cada guia receberá por cada visita que faz”.

Desde Dezembro de 2013 que o bairro da Mouraria está inserido na rede “Migrantour”, co-financiada pela União Europeia e que integra outras oito cidades europeias, através de parceiros locais em Nápoles, Roma, Milão, Florença, Génova, Paris, Marselha e Valência.
Entre Maio e Junho deste ano decorreu a primeira fase de formação para guias locais, que teve formandos de várias nacionalidades: Brasil, Irão, Congo, Bangladesh, Paquistão, Polónia e Ucrânia, e que “já estão aptos a fazer visitas”, disse a responsável, acrescentando que em Janeiro do próximo ano haverá nova fase de formação.
Os dois percursos criados designam-se “Há Mundos na Mouraria” e “Da Mouraria para o Mundo”, dando a conhecer locais de culto, lojas, restaurantes, ingredientes, usos e costumes do mundo.
Desenvolvido ao longo dos próximos 18 meses, o projecto irá assim estimular a curiosidade intercultural, facilitar o diálogo e a compreensão promovendo um melhor envolvimento entre os migrantes e as sociedades de acolhimento em Florença, Génova, Marselha, Milão, Paris, Roma, Turim, Valência e Lisboa, onde será implementado pelo IMVF em parceria com a associação Renovar a Mouraria.
Tem o objetivo de promover ações locais visando potenciar a participação económica, social, cultural e política dos cidadãos migrantes e fortalecer a interação e promover o envolvimento das comunidades recetoras com os migrantes, com base no respeito mútuo, direitos, obrigações e diferenças culturais.
Tem como parceiros: ACRA – Cooperazione rurale in Africa e America Latina; VIAGGI SOLIDALI Società Cooperativa Sociale Onlus; Oxfam Italia; Baština; Marco Polo Echanger Autrement (MPEA); Associació Solidaritat Perifèries del Món (Perifèries); Instituto Marquês de Valle Flôr; Associação Renovar a Mouraria; EARTH European Alliance for Responsible Tourism and Hospitality.
O IMVF – Instituto Marquês de Valle Flôr é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) que centra a sua intervenção nos países de língua portuguesa e assume como missão a promoção do desenvolvimento socioeconómico e cultural. Actua em todo o espaço da CPLP, tendo como principais áreas de trabalho a Cooperação e a Educação para o Desenvolvimento, é inovador na Cooperação Descentralizada com os Municípios e recebe pontualmente solicitações para intervir em Ajuda Humanitária em países onde atua em permanência.
O IMVF nasceu há 63 anos, pela mão da Marquesa de Valle Flôr, com o objectivo inicial de dar apoio à investigação na área da saúde (doenças tropicais) e a assistência à população mais carenciada, especialmente em S. Tomé e Príncipe. Nos anos 80, com a entrada na Comunidade Económica Europeia, o IMVF iniciou uma nova fase, respondendo a novas orientações para a Cooperação com os países africanos de expressão portuguesa.
A propósito desta iniciativa encontrei num blog o seguinte comentário:
“TANTO TRABALHO PARA DEVOLVEREM A MOURARIA AOS MOUROS…E COM SUBSÍDIOS… QUANDO O ESTADO ISLÂMICO CHEFIAR PELOS VISTOS TÊM MUITA LIMPEZA ÉTNICA A FAZER… A QUEM NÃO SE CONVERTER…”
Será que alguma vez andaram por aqueles bairros? Será que têm familiares e conhecidos que tiveram que fugir de situações nacionais de tal forma horríveis que viver num país estrangeiro onde são ostracizados, mesmo sem raízes, mesmo sem casa, mesmo sem emprego, é uma bênção? Será que alguma vez conheceram pessoas que têm que dormir à vez na mesma cama? Será que alguma vez se viram confrontados com a barreira da língua e de novas regras culturais e legais? A questão do fanatismo religioso também me preocupa. Mas não só do Islão. É preciso não esquecer as Cruzadas…
