CARTA DE LISBOA – Sai uma Cuba livre? – por Pedro Godinho

lisboa

 

 

Após cinco décadas de obstinação, Obama veio mudar o discurso sobre o embargo estado-unidense a Cuba e reconhecer o fracasso da política de embargo mantida desde 1961: “não teve os efeitos desejados”.

O império das estrelas, tão amigo que fora da ditadura de Batista e da Cuba dos casinos, bordeis e demais negócios ianques mafiosos – enquanto escorrerem dólares tudo é permitido – não perdoou que, na sua vizinhança, houvesse quem se decidisse pela independência.

O sectarismo ideológico, inspirado pelo complexo militar-industrial, repetido anos a fio e por todo o lado, que se alimenta e enriquece com as guerras que provoca ou em que se intromete e explora em benefício próprio, nunca se preocupou com os meios usados para defender os seus fins.

É essa força, que tem dominado a política internacional estado-unidense quer o governo se diga republicano ou democrata, que no seu fundamentalismo diaboliza e despreza tudo e todos os que não lhe são subservientes – quem não é por mim é contra mim – a principal responsável pelo embargo a Cuba.

Quando alguém não se lhes verga, preferem que eles não tenham pensamento e acção próprios, autónomos, mais-querem poder juntá-los ao inimigo num mesmo saco porque só sabem lidar com um mundo bipolar. A guerra fria era o seu estado favorito, o pretexto ideal que tudo lhes justificava.

A uma Cuba livre preferiram uma Cuba cercada, mesmo sabendo que se não se submetesse a empurravam para ter de procurar a amizade soviética, mesmo sabendo que quem pagava o preço era o povo cubano.

O embargo a Cuba é a estupidez do imperialismo feito política internacional.

A decisão de Obama de estabelecer um diálogo com Cuba com vista a restabelecer as relações entre os dois países e a pôr fim ao embargo (a ver se as forças do imobilismo não bloqueiam o fim do bloqueio) pode ser o maior contributo para a liberdade em Cuba por parte dum país que, infelizmente, tem pesadas responsabilidades no que de pior a América do Sul conheceu.

Bom seria que não fosse uma acção isolada mas um reconhecimento que, para poder reivindicar o título de estado democrático, muito tem de mudar na sua política externa.

1 Comment

  1. PEDRO GODINHO BOA NOITE, O SEU ARTIGO «VAI UMA CUBA LIVRE?» TEM UM INTERESSE LIMITADO . CREIO BEM QUE DEVERIA IDENTIFICAR QUEM O LÊ COM MAIS QUALQUER COISA! PARA ISSO PEÇO-LHE QUE PERCA ALGUM DO SEU TEMPO, A LER , REFLETIR E CASO NÃO TENHA ARGUMENTOS PARA CONTRARIAR O QUE LHE PROPONHO, FAZER MAIS UM COMENTÁRIO SÓ POSSIVEL EM PAISES DEMOCRÁTICOS , COMO O NOSSO , SOBRE O LIVRO «A FACE OCULTA DE FIDEL CASTRO» E SE TIVER À-VONTADE DEMOCRÁTICA FALAR DO QUE LEU…….FICA A SUGESTÃO . J.M.

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