TEATRO CORNUCÓPIA FAZ BALANÇO DO ANO DE 2014

Informam-nos:

 “Estamos a chegar ao fim do 2º ano do apoio quadrienal da Direcção Geral das Artes a que concorremos em final de 2012. Mantém-se a situação de dependência do apoio estatal, tendo existido porém ao longo destes dois anos algum apoio por parte da CML, bem como do grupo de Amigos da Cornucópia. Devido à possibilidade de co-produção de dois dos espectáculos, foi possível apresentar um ano de trabalho e com a programação projectada. O arranque de 2015 no que diz respeito à situação financeira desenha-se com incógnitas e algumas incertezas difíceis de gerir mas a que procuraremos dar solução.transferir

O ano de 2014

Em 2014 conseguimos levar a bom termo o projecto que traçámos, com resultados de que nos orgulhamos.

Hesitámos antes de nos lançarmos na aventura do espectáculo Ilusão, a partir dos primeiros textos dramáticos de García Lorca, com o tão discutido convite a não profissionais para o elenco do espectáculo. Mas o risco que isso envolvia à partida, graças ao formidável entusiasmo de cada um dos que nele participaram e até dos que não puderam ser escolhidos, foi afinal uma experiência exemplar e inesquecível para nós e para todos os que de alguma forma nele se envolveram. Um espectáculo único de alegria, afectividade. Uma inocência criativa que é sintoma de uma generosidade que por certo teria agradado ao poeta e que revelam a necessidade de alternativas para um nosso quotidiano demasiado pesado e muito pouco compensador. Aquilo que com esse espectáculo vivemos deu origem a um filme chamado também Ilusão, da actriz Sofia Marques, que acompanhou o projecto. Seleccionado para o Festival DocLisboa, o filme teve o Prémio do Público. E durante algum tempo vivemos uma verdadeira, mesmoque fugaz, relação com o público com quem trabalhamos.

A encomenda do São Luiz Teatro Municipal, a que respondemos com o espectáculo Íon, de Eurípides, acabou por se tornar, de facto, não tanto numa reflexão sobre o 25 de Abril de 1974, como com certeza na expressão da profunda distância política que desse tempo nos separa, ou pelo menos, foi assim que muita gente o sentiu.

Muito empenhada e calorosa foi a homenagem que o Festival de Almada fez a Luis Miguel Cintra, e por isso a todos os que com ele têm trabalhado, acompanhadada exposição biográfica a que a Cristina Reis deu forma tão cuidada, a série de conversas que ao longo de uma semana ele foi mantendo com um grande grupo de

inscritos, e o sincero entusiasmo na reacção do público.

Por fim a co-produção com os dois Teatros Nacionais, o São João do Porto e o Dona Maria de Lisboa, o real empenho dos dois directores na produção de um espectáculo como o Pílades de Pasolini, texto de combate, um verdadeiro manifesto anti-mercado do espectáculo, um longo e austero poema dramático de 3 horas e meia. A forma como, depois de uma recepção de início menos calorosa no Porto, acabou a carreia em Lisboa com a sala a aplaudir longamente de pé. Foi tudo isto um processo que excedeu as espectativas e nos mostrou a importância de uma relação de respeito por espectadores exigentes, que esperam do teatro muito mais do que a relação de consumo para que tudo cada vez mais o encaminha. Pelo nosso lado o que decorreu de profunda relação de uma já antiga companhia com um grupo excepcional de novíssimos actores, tornou este Pílades também num dos nossos espectáculos mais importantes. Em projecto se encontra a possibilidade de em 2016 fazer uma apresentação em Bolonha, integrada na iniciativa Pasolini, scena futura com início em finais de 2015, numa parceria e intercambio com três companhias, uma italiana Teatro di Vita, uma belga Cave Canem e outra portuguesa Penetrarte Associação Cultural, estando tudo dependente ainda de um apoio da União Europeia.Que fazer?

Poderíamos dizer: basta, agora que os mais novos peguem na estafeta. Novo ou velho não devia ser o mais importante. O que mais importa é o modo de fazer, a natureza do trabalho e o que podemos dar à sociedade em que vivemos. Na Cornucópia, por mais anos que já tenha, tivemos este ano passado a prova de que os outros acreditam que ainda trabalhamos bem e muito nos deram, justamente os mais novos, que se interessam pelo tipo de trabalho que gostamos de fazer.”

 

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