ESCRITOS NA AREIA – “O GESTOR E O MOTORISTA IV” – por António Mão de Ferro

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Se ainda se recorda, no último escrito tinhamos referido que o Gestor andava à procura de uns papéis.

Continua a procurar os papéis num lado, procura no outro, pede à Engª. Amélia para se sentar, enquanto vai dizendo que eles deviam estar aqui, entretanto procura noutro sítio. A Engª. Amélia olha para o relógio.

Desesperado pega em papéis que já tinha visto, a seguir noutros e noutros. Há mais de um quarto de hora que anda afincadamente à procura.

A Engª. Amélia aborrecida disse que tem um compromisso a que não pode faltar. Depois marcamos outra reunião. Entretanto veja se encontra os papéis, boa tarde e saiu da sala.

O Gestor fica desesperado e diz: Assim o País não avança. Agora são reuniões atrás de reuniões. O que a Engª. precisa é de formação ou de conhecer o pensamento de Voltaire, quando este refere que há quatro maneiras de perder tempo, nada fazer, não fazer o que se deve, fazê-lo mal ou fazê-lo inoportunamente.

E continuou no seu monólogo: A Engª. Amélia tem  a mania que é perfecionista. Eu faço o que é preciso. Ela adia. Faz as coisas em função das consequências. O que está à frente antes do que é importante. O que vem dos outros, antes das suas prioridades. O que está anotado na agenda antes do que não está. Não respeitou a reunião que tinha comigo. Tem medo de dizer não. Aborrece-se não mostra sentido de humor. Marca as reuniões com horários sobrecarregados. Trata os assuntos superficialmente não reserva tempo para pensar. Não respeitou o meu tempo, nem os objetivos da reunião. Se calhar nem os definiu. Ao não os ter definido, não sabe se os atingiu. Como é que há-de saber?!

O que ela fez foi tramar a minha programação. É que eu não faço as coisas à toa. Fixo objetivos para o dia. Defino prioridades. Não complico, mas sou rigoroso.

Ah far-se-iam muitas mais coisas se víssemos menos impossíveis.

E ficamos por aqui por hoje.

(Continua)

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