No Anfiteatro da Biblioteca Nacional, dia 17 de Janeiro vai ocorrer o Encontro “A economia política das ciências sociais e das humanidades”.
Este encontro visa analisar e discutir a actual situação das ciências sociais e das humanidades em Portugal. Tendo como pano de fundo a crise económica do país e da Europa, os trabalhos desenvolvem-se em torno de três eixos principais: as fontes de financiamento universitário e a autonomia das agendas de investigação; as diferenças e hierarquias no interior do campo académico e a noção de comunidade científica; a crise do emprego científico e as práticas académicas de exploração laboral. A cada uma destas questões será dedicada uma mesa de debate.
9h45: Abertura
10h-11h40 FINANCIAMENTO OU CONDICIONAMENTO DA INVESTIGAÇÃO?
Que dívida é contraída pelos cientistas sociais junto de quem financia as suas investigações? A questão ganha maior visibilidade em Portugal num quadro de retracção do financiamento estatal e de emergência de novas fontes de financiamento privado. Partindo de um olhar histórico sobre o desenvolvimento da ciência nas últimas décadas, nesta primeira mesa pretende-se problematizar a questão da determinação das agendas de pesquisa nas ciências sociais de hoje, nomeadamente discutindo a sua sujeição a interesses económicos privados e ou a políticas públicas de índole nacional ou europeu.
11h50-13h30 COMUNIDADE CIENTÍFICA OU HIERARQUIA ACADÉMICA?
Hoje boa parte dos cientistas sociais utiliza o conceito de comunidade com precaução. Neste sentido nós também perguntamos de que falamos quando falamos de comunidade científica? A identificação de uma tal comunidade torna visível uma distinção entre o campo académico e a realidade que o rodeia e revela-se pouco sensível às diferenças e desigualdades que cindem o interior do campo. Em jeito de inquérito às relações de poder na universidade, esta mesa promoverá um debate que se pretende desdobrar da crítica pedagógica à questão da democraticidade do governo universitário.
15h-16h40 CRISE E FUTURO DO TRABALHO CIENTÍFICO
Desde os anos de 1990 que aumentou significativamente o número de pessoas envolvidas na investigação científica. Em função da crise económico-financeira vigente, mas também de uma concepção da produção científica de pendor elitista, de que é exemplo a recorrente agitação da bandeira da “excelência” por parte da actual direcção da FCT, aquela tendência de crescimento encontra-se em reversão. Esta reversão é facilitada pela natureza dos vínculos contratuais em que se baseou o crescimento das últimas décadas. A universidade constituiu-se como um laboratório de experiências de mobilização e exploração do trabalho que passaram pela generalização de regimes de precariedade e, mais recentemente, pela proliferação de trabalho não-remunerado. Como inverter a tendência de retracção do número de investigadores e reconstruir o sistema em bases menos precárias?
17h-18h30: DISCUSSÃO FINAL

